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Ninguém cala Notibras

Irã ataca e a notícia não espera por autorização

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José Seabra - Foto Reprodução Sputniknews

Há um vício antigo considerado cada vez mais perigoso praticado no jornalismo de prateleira. É o de só publicar o fato quando o sinal verde vem de cima. Não de um editor, o que seria natural, mas de centros de poder que decidem o que pode ou não ser dito, quando deve ser dito, e, sobretudo, como deve ser omitido.

No domingo, 29, esse vício ficou escancarado. A título de recordação, vale registrar que enquanto mísseis iranianos atingiam uma base militar na Arábia Saudita e destruíam aeronaves americanas, a informação corria célere por agências internacionais fora do eixo tradicional.

Às 11h31, Notibras.com já levava ao leitor o que efetivamente acontecia no campo de batalha. Foi uma edição sem maquiagem, sem anestesia e sem pedir precisar licença.

Horas depois — muitas horas depois — vieram os chamados “grandes veículos”. O Globo só deu as caras às 16h50; o UOL, às 18h02; e O Estado de S. Paulo, às 18h46. Pelo visto, não se tratou de um atraso técnico, mas de silêncio calculado.

Contudo, há um silêncio na imprensa muda, que não fala, que, em muitos casos, já não informa, restringindo-se a administrar versões. São os jornalecos que não noticiam derrotas de aliados, mas as dilui, as relativiza, ou simplesmente as esconde até que se tornem inevitáveis. E quando finalmente vêm à tona, chegam embrulhadas em justificativas geopolíticas, como se o leitor fosse um figurante dispensável nesse teatro de conveniências.

A imprensa independente, ao contrário, não vive a soldo de potências. Não depende de briefing de embaixada nem de alinhamento editorial com interesses estratégicos. Notibras.com vive do compromisso inegociável de informar. E levar fatos ao leitor dói, especialmente quando a notícia desmonta narrativas consolidadas.

O episódio do ataque iraniano expõe mais do que um evento militar. Apresenta uma fissura. De um lado, veículos que ainda acreditam que a verdade pode ser administrada como estoque. Do outro, quem entende que notícia tem tempo e que o tempo da informação é o agora.

Não se trata de escolher lados entre Estados Unidos, Israel ou Irã. Trata-se de escolher o princípio de que o leitor não pode ser o último a saber. Mesmo porque, a guerra que se desenrola no Oriente Médio não é apenas de mísseis. É também de narrativas. E, nessa arena, esconder informação é uma forma sofisticada de combate.

Notibras.com, ao publicar o básico, sem temer represálias, fez o que hoje parece revolucionário na imprensa. Mostrou que a verdade não depende de autorização superior, nem de conveniência diplomática. E provou que não há peneira capaz de conter fatos quando eles insistem em ser fatos.

Escrito e editado por um grupo de jornalistas em sua maioria de cabelos prateados, Notibras.com se permite, no fim das contas, formular uma pergunta incômoda: quem informa e quem administra o silêncio? O que não se pode aceitar é a falácia de que entre a notícia e o silêncio há um abismo. E é nele que a credibilidade se perde.

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José Seabra é CEO fundador de Notibras

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