Curta nossa página


Dutch   English   French   German   Italian   Portuguese   Russian   Spanish


Brasil

Isolar é preciso, mas parar tudo matará o país

José Seabra, Diretor-Editor

Do alto da minha condição de componente do grupo de risco passível de contrair a Covid, vivo isolado na varanda do apartamento. Daqui escrevo, ajudo a equipe – toda ela no sistema home office – a editar e amenizar ao máximo, sem adulterar a informação, a perigosa densidade das notícias que nos chegam de todo o mundo.

Entendo como grupo de risco os idosos e pessoas com um prontuário cheio de letrinhas ilegíveis com aquelas grafias dos médicos. Tabagista inveterado e com oscilações eventuais na pressão arterial, sei que devo seguir à risca as orientações dos profissionais de saúde. E sigo.

Mas, reitero que se a maioria das notícias – muitas delas fake news – não fossem amenizadas antes da edição, a humanidade estaria transformada em personagens do mais horripilante filme de terror.

Portanto, quem primeiro recebe as notícias, sente que há um misto de histeria e pânico na sociedade. Isolar, admito, é preciso. Contudo, não a ponto de toda a economia parar. A vingar a teoria do para tudo, avalio, será morte por inanição.

Do meu ângulo de visão, presencio operários da construção civil erguendo dois suntuosos prédios. E não tenho notícias de que algum deles tenha sido contaminado com o novo coronavírus. Também vejo motociclista da ECT que estaciona na vizinhança para entregar Sedex-10. Há ainda motoboys dos deliverys acionando portarias de edifícios.

Isolamento social é preciso. Mas, quem, e a que preço?

O metrô circula, os ônibus rodam, o padeiro faz o pão, o balconista ensaca, o caixa recebe o valor devido. Veículos são abastecidos nos postos de combustíveis, o veterinário está examinando o pet, o chacareiro está cultivando frutas e hortaliças. Seriam eles privilegiados imunes ao novo mal que veio de longe?

Em 2018, Jair Bolsonaro cativou milhões de brasileiros que o elegeram presidente da República. Em tempos de Covid, o ex-capitão tem sido contraditório. É um disse-me-disse que justifica, em tese e em parte, os ataques virulentos que partem dos seus desafetos. Mas, como estadista, ele precisa apontar o norte. Se ele diz que há um porto seguro, quem nele apostou deve nele confiar.

De Londres nos chega a notícia de que o príncipe Charles está contaminado com o vírus. Do Irã, vem uma mostra organizada por cartunistas. Não desejam que o garoto loiro de cabelos encaracolados, e sua flor, morram. E os preservam em duas redomas.

Talvez ‎Antoine de Saint-Exupéry preferisse ver o Pequeno Príncipe e sua flor respirando ar puro. Ambientes fechados costumam provocar claustrofobia. E sem a circulação de ar, o sistema respiratório entra em falência.

Insisto que talvez Bolsonaro esteja certo. Isolar é preciso, desde que aquele grupo mais vulnerável. O que não podemos é abrir espaço para pânico e histeria, sob o risco de a economia morrer.

Vivemos tempos modernos, bem mais modernos do que aquele longínquo 1936. Era a época em que O Vagabundo, personagem do genial Charles Chaplin, tentava sobreviver em um mundo industrializado.

Os tempos são outros, embora a meia voz se diga que o mundo permanece dividido entre capitalistas, nazifascistas, imperialistas e comunistas. Mas no frigir dos ovos, há sempre um estadista. No caso do Brasil, cabe ao capitão Jair Bolsonaro, agora, provar que o general De Gaulle estava errado.

 

Publicidade
Publicidade
Publicidade

Copyright ® 1999-2019 Notibras. Nosso conteúdo jornalístico é complementado pelos serviços da Agência Brasil, Agência Brasília, Agência Distrital, Agência Estadão, Agência UnB, assessorias de imprensa e colaboradores independentes.

Segue a gente