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Imagem no buraco

Judeu é do bem; problema é Netanyahu, tido como a verdadeira besta do mal

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Salim Abdullah* - Especial para Notibras/Foto Reprodução da ABr, via Reuters

Recordistas em prêmios Nobel e com histórias de sofrimentos implacáveis e de sábia recuperação, os israelenses não são um povo qualquer. Por isso, antes que retrocedam ainda mais perante a opinião pública do planeta, tentem fazer alguma coisa que garanta aos judeus um mínimo de reconhecimento. Como diz um velho ditado do Ocidente, o povo unido jamais será vencido. Vocês são fortes, resilientes, guerreiros e, aos olhos do globo terrestre, merecem urgentemente um governante melhor, mais preparado e, ainda que ideologicamente de costas para o mundo moderno, mais antenado com os anseios populares.

Definitivamente, um déspota insensato, ensandecido e mouco não os transformará em donos do Oriente Médio. Matar por matar, como tem feito Benjamin Netanyahu, é muito mais do que uma ingênua loucura. É a loucura em último grau, própria dos imbecis com mestrado e doutorado, mas que primariamente não conseguem perceber que estão atirando no próprio pé. Diante da abissal antipatia que nutro por Donald Trump, reconheço que tenho pouca simpatia por Joe Biden. No entanto, tenho de louvar o recente pensamento “bideniano”, segundo o qual os ataques de Bibi à Faixa de Gaza até agora só serviram para prejudicar e desgastar a imagem dos israelenses.

Biden também alertou Netanyahu a respeito da possibilidade real de ele estar convocando a Terra contra ele. Foi o que ocorreu com os Estados Unidos no famoso e inesquecível 11 de setembro de 2001. Na incessante caçada a Bin Laden, desnecessariamente acabaram batendo de frente com o Iraque e com o Afeganistão. Eliminaram o terrorista, mas perderam as Torres Gêmeas e milhares de nacionais. Em outras palavras, Bibi tem o direito de perseguir e confrontar o Hamas. Entretanto, é obrigação de um mandatário proteger vidas inocentes. Deixar de fazer o dever de casa o impedirá de, no futuro, reclamar de novas comparações com a matança protagonizada por Hitler contra os judeus na Segunda Guerra Mundial.

Dizem os sábios que a máxima da reciprocidade para quem exige respeito é respeitar. Nesse sentido, os discursos de Benjamin Netanyahu e de seus aguerridos aliados são de mão única. Concordo com o rebuliço gerado por eventuais comparações com o Holocausto. Uma coisa é uma coisa, outra coisa é outra coisa. Todavia, é indefensável o desrespeito ultrajante a uma tradição do povo árabe. Pois o líder judeu defecou na cabeça dos inimigos e, às vésperas do Ramadã, bombardeou a Faixa de Gaza, deixando dezenas de mortos espalhados pelas ruas já apinhadas de mortos de fome.

Primeiro-ministro desprestigiado e conhecido prioritariamente pelo sangue que lhe jorra dos olhos, Netanyahu sabe que matar cerca de 35 mil pessoas, 70% delas mulheres e crianças, não significará o fim do Hamas. Aliás, engana-se quem acha que a guerra inventada por Benjamin é contra o colegiado extremista. O grupo considerado terrorista foi apenas o pretexto. Antigo e sonhado dia e noite pelo ditador, o objetivo maior é exterminar com o povo palestino. É fazer os palestinos gemer sentido dor. Algo que nem os homens das cavernas faziam com suas presas. Não à toa, ele ainda será tema de filme de Hollywood.

Se os roteiristas e diretores aceitam sugestão, tenho uma: O exterminador do presente. Abobalhada e ensandecidamente, Netanyahu tenta se apegar a todos os possíveis cordões umbilicais, mesmo aqueles já apodrecidos pelo tempo de inocuidades. Em um de seus últimos apelos, Benjamin enviou carta ao angelical Jair Bolsonaro, convidando-o a visitar Israel. Não é nada, não é nada e o convite acabará em nada. A menos que os dois resolvam se unir para, montados em um jet ski, abrir clareiras nas trincheiras do Exército israelense, de modo a permitir que humanamente os palestinos alcancem a sobrevivência. Como a tese é concurseiramente improvável, o caminho a ser seguido por Benjamin é simples: com ou sem a ajuda do Messias Jair, devolva a César o que é de César.

*Salim Abdullah, sociólogo, é especialista em geopolítica do Oriente Médio, Ásia e Leste europeu.

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