A Esquerda Gaúcha
Juliana Brizola ao governo com Edegar Pretto de vice
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Finalmente, a esquerda no Rio Grande do Sul chegou a uma definição, ainda que longe de ser a ideal. A composição com Juliana Brizola ao governo, Edegar Pretto como vice, e as candidaturas de Manuela e Paulo Pimenta ao Senado é o retrato fiel de um campo político que precisou ceder mais do que gostaria. Não há euforia, não há celebração. Há, no máximo, um suspiro de alívio por encerrar um ciclo de incertezas e uma consciência coletiva de que se trata de um arranjo possível, não necessariamente desejado.
O desconforto é generalizado. O PSOL torce o nariz, o PT engole seco e setores importantes do PDT demonstram clara insatisfação. E isso diz muito. Quando um acordo desagrada a todos, costuma haver duas leituras possíveis: ou ele é equilibrado, ou ele é frágil. No caso gaúcho, talvez seja um pouco dos dois. Equilibrado porque evita rupturas maiores; frágil porque nasce sem entusiasmo, sem unidade programática consolidada e com feridas ainda abertas pelas negociações duras que o antecederam.
Mas a política se faz sobretudo com correlação de forças e capacidade de construção. O campo progressista no Rio Grande do Sul parece ter entendido que, diante de um cenário adverso, a divisão seria ainda mais custosa. O problema é que alianças construídas sob tensão exigem, daqui para frente, muito mais do que acordos formais: exigem confiança, coesão e, principalmente, um discurso capaz de mobilizar para além das próprias divergências internas. Caso contrário, o que hoje é apenas um incômodo pode se transformar, amanhã, em derrota anunciada.