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São José da Tapera

Justiça remarca júri popular de marido acusado de feminicídio

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Autor/Imagem:
Salete Sampaio - Foto Divulgação

O julgamento de Leandro Pinheiro Barros, acusado de assassinar a tiros a esposa Mônica Cristina Gomes Cavalcante Alves, de 26 anos, foi remarcado para o dia 9 de novembro de 2026. A nova data foi definida pelo juiz Alberto de Almeida e publicada no Diário da Justiça. O réu enfrentará o júri popular no Auditório do Tribunal do Júri da Comarca de Arapiraca, integrando um mutirão do Poder Judiciário local, após o processo cumprir a fase de pronúncia que confirmou os indícios do crime.

O feminicídio aconteceu na madrugada de 18 de junho de 2023, na cidade de São José da Tapera, localizada no Sertão de Alagoas. De acordo com as investigações, Mônica foi assassinada com pelo menos cinco disparos de arma de fogo bem em frente ao fórum do município. O crime ocorreu logo após o casal sair de uma festa junina, momento em que a vítima e o acusado teriam tido uma forte discussão.

Momentos antes de ser morta, a jovem gravou vídeos em seu aparelho celular que chocaram o país pelo forte teor de alerta. Nas gravações, Mônica relatava que vivia em um relacionamento extremamente abusivo e deixou um aviso explícito: se algo acontecesse com a sua vida, o responsável seria o seu companheiro. Ela detalhou que sofria agressões físicas e psicológicas constantes do marido, deixando dois filhos órfãos, que tinham 3 e 9 anos à época.

Durante o inquérito, a Polícia Civil colheu depoimentos de testemunhas que confirmaram a rotina de violência doméstica enfrentada pela vítima, relatando que ela frequentemente comparecia ao trabalho com marcas de agressão pelo corpo. Como parte das provas materiais coletadas pelas autoridades, foram apreendidas uma pistola calibre 9 milímetros devidamente registrada no nome de Leandro e uma camisa com manchas de sangue, materiais enviados para perícia técnica.

Logo após a execução do crime, o Poder Judiciário decretou a prisão preventiva do acusado, que iniciou uma fuga internacionalizada. Leandro Pinheiro Barros permaneceu na condição de foragido por cerca de 10 meses, movimentando as forças de segurança até ser localizado e capturado em abril de 2024 na cidade de Santa Cruz de la Sierra, na Bolívia. Ele foi devidamente extraditado para o Brasil e encaminhado ao sistema prisional alagoano.

Atualmente, o réu — que confessou a autoria do assassinato logo após a sua prisão e transferência para a capital Maceió — segue custodiado em uma unidade penitenciária do estado. Ele permanecerá isolado da sociedade aguardando o início da sessão do tribunal, onde responderá perante os jurados pelo crime de feminicídio qualificado e uso ilegal de arma de fogo.

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