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Brasil

Ku Klus Klan tupiniquim ataca invasão de sem-teto no Ceará



Pelo menos 150 famílias que ocupavam um terreno em Maracanaú, na região metropolitana de Fortaleza, foram forçadas a sair do local por homens armados e encapuzados, de acordo com relato do coordenador regional do Movimento dos Trabalhadores Sem Teto (MTST) no município, Carlos Augusto Melo.

Ele conta que a abordagem foi feita por volta das 3h da madrugada com o apoio de tratores. “Havia cerca de 40 homens. Eles fizeram quatro disparos e apontaram as armas para as pessoas, algumas delas com crianças no colo. Disseram que, se não saíssemos, eles meteriam bala”. As famílias deixaram, então, o terreno, e ocuparam o prédio de uma creche que, segundo Carlos Augusto, está com as obras paradas. As barracas e outras estruturas que estavam montadas no terreno foram destruídas.

A ocupação Bandeira Vermelha começou no último dia 18, com o objetivo de reunir mil famílias para reivindicar moradias pelo Programa Minha Casa, Minha Vida. Segundo o coordenador regional do MTST, um homem que se apresentou como proprietário do terreno já havia estado no local em dois momentos e ameaçado as famílias. “Havia uma reunião agendada entre o movimento e representantes dos governos federal, estadual e do município para negociar uma solução para as famílias. A prefeitura de Maracanaú tinha se comprometido a entrar em contato com o proprietário do terreno e acertar que, enquanto houvesse negociação, não haveria ação violenta de retirada das pessoas”, acrescentou.

A Polícia Militar (PM) foi acionada pelos ocupantes do terreno e esteve no local, na parte da manhã. Segundo a assessoria de imprensa da corporação, foi feita busca de arma nos homens que provocaram a desocupação do terreno, mas nada foi encontrado. Foi aberto inquérito no 29º Distrito Policial para apurar os fatos. A assessoria jurídica do deputado estadual Renato Roseno (PSOL) enviou ofícios para a prefeitura de Maracanaú, para o Comando Geral da PM e para as secretarias de Segurança Pública e de Cidades do Estado, solicitando proteção para as famílias do MTST e a retomada das negociações.

O MTST no Ceará tenta, por meio da Secretaria de Cidades, conseguir inserção no Programa Minha Casa, Minha Vida Entidades, coordenado pelo Ministério das Cidades. Segundo a assessoria da secretaria, o movimento demanda 2 mil moradias e o secretário Ivo Gomes se comprometeu a levar essa demanda ao Ministério das Cidades.

A reportagem tentou falar com a prefeitura de Maracanaú, por meio dos telefones da assessoria de comunicação e da secretaria de governo, disponíveis no site institucional, mas nenhuma chamada foi atendida.

Edwirges Nogueira, ABr
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