Como quem partiu ou morreu
Lidar com as frustrações não é fácil…
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Como diz na canção “Roda Viva”, do Chico Buarque, “tem dias que a gente se sente como quem partiu ou morreu”… há momentos que, sem mais nem menos, tudo parece perder o sentido, mesmo que as coisas estejam caminhando como devem. Ou seja, essa sensação de abandono tem muito pouco a ver com a situação vivenciada por nós. Simplesmente, sem nenhum motivo aparente, a frustração toma conta de nosso ser…
Bem, somos complexos ao extremo. E muitas vezes acontecimentos pequenos, que nem dignos de nota são, acabam por acionar o gatilho que pode nos jogar nas sombras do desencanto. E, como eu disse… nada do que está ocorrendo ao nosso redor justifica essa mudança repentina de humor…
Nosso dia pode ter sido maravilhoso… tudo o que vivenciamos foi perfeito, a vida se encaminha como esperamos. Claro, há os percalços normais, para os quais estamos preparadas. Ou seja, tudo caminhando como planejado. Porém…
As relações humanas são complicadas. Afinal, mesmo que não esperemos nada daqueles que nos acompanham em nossa caminhada por esse plano, mesmo sabendo que estes nada nos devem… bem, em alguns momentos jogamos sobre estes toda nossa frustração…
Pode ser qualquer coisa. Um projeto nosso que não deu certo, uma situação que gostaríamos de vivenciar, mas não aconteceu… uma crítica sobre algo que fazemos e que, segundo nossa visão, não corresponde à nossa linha de pensamento… sim, são muitas as variáveis…
Críticas sempre tem a intenção de ser construtivas. Quando alguém aponta falhas em suas ações, a intenção do mesmo é que você melhore sua performance. Porém, nem sempre você está preparada para ouvir e assimilar tais apontamentos…
Quando você se dedica de corpo e alma em algum tipo de projeto, espera ser reconhecida. Mesmo que não monetariamente, ao menos com palavras, elogios. Claro, você deve se infiltrar nos grupos que tem as mesmas aspirações que te guiam. Mas aspirações são difíceis de ser alcançadas…
O maior problema que enfrentamos é a sensação de pertencimento. Desejamos ardentemente pertencer a determinado grupo e nos associamos a este. E acabamos por nos decepcionar, não por culpa das diretrizes deste, mas sim devido às nossas expectativas. Afinal, grupos são formados por pessoas com um mesmo objetivo em comum. Algumas vezes não estamos alinhadas realmente com a maioria…
Outro ponto que nos deixa desestabilizadas é a sensação de invisibilidade. É nosso desejo estar sempre em evidência. Porém, assim como temos nossos próprios compromissos para resolver, as outras pessoas também o têm. Sabemos disso, temos plena consciência de tal fato, mas, quando esperamos por alguém… não importa quem seja… e não nos encontramos, a frustração realmente toma conta de nosso ser…
Cada momento vivido é único. Felicidade e frustração vão se revezando durante nossa caminhada. E isso é normal. É claro que seria maravilhoso se tudo seguisse o roteiro que traçamos em nossa imaginação. Mas vivemos em um mundo dinâmico. E cada pessoa que caminha ao nosso lado tem seus sonhos, suas prioridades, seus desejos… e nem sempre fazemos parte de seu Universo…
Por isso, se desejamos a Felicidade, precisamos aprender a superar as frustrações nas quais tropeçamos em nosso dia a dia. Precisamos focar nas coisas boas da vida. E dar valor a cada pequena vitória que alcançarmos. Pois, no final, ao juntarmos todos os bons resultados que alcançamos, mesmo que naquele momento tenham parecido pequeninos, descobriremos o quão afortunados somos…
Resumindo… a única pessoa que pode te proporcionar a felicidade é você mesma. E você pode compartilhá-la com outro alguém que esteja, naquele momento, em sua mesma sintonia. Mas isso não significa que este irá permanecer ao seu lado para sempre. Pois tudo na vida é passageiro…