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Salvador

Líder de facção é preso em maternidade durante megaoperação policial

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Autor/Imagem:
Janaína Costa - Foto Divulgação/Emater-DF

Uma megaoperação policial contra o tráfico de drogas e homicídios resultou em uma prisão inusitada nesta terça-feira, 16 de junho de 2026, em Salvador. Um dos principais alvos da investigação foi detido por agentes da Polícia Civil dentro de uma maternidade no bairro do Pau Miúdo. O homem estava no local acompanhando o nascimento de seu filho quando foi surpreendido pelas equipes de segurança.

O suspeito detido no hospital foi identificado como Jeamerson dos Santos Serafim, de 32 anos. Ele se tornou o 16º capturado ao longo do dia na chamada Operação Gênesis. A ação policial foi coordenada pelo Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), por meio de sua Coordenação de Operações e Inteligência (COI), com o objetivo de desarticular uma organização criminosa de alta periculosidade.

As investigações contra o grupo já duravam cerca de dois anos. De acordo com as autoridades baianas, a quadrilha não possui vínculo formal com nenhuma das grandes facções criminosas conhecidas no país. Apesar de atuar de forma independente, os investigadores ressaltaram que a associação se estruturou de maneira altamente organizada e violenta para ditar suas próprias regras nas comunidades.

O bando é apontado como o responsável direto por ordenar e executar ao menos 15 assassinatos de traficantes rivais entre os anos de 2025 e 2026. A polícia explicou que as mortes não eram episódios isolados. Os homicídios faziam parte de uma estratégia sangrenta planejada pela liderança do grupo para assegurar e expandir o controle territorial dos pontos de venda de entorpecentes em Salvador.

A base geográfica da organização criminosa surgiu no bairro de Águas Claras, situado na periferia da capital baiana. Com o tempo, os criminosos estenderam os tentáculos para a localidade de Cajazeiras V. Posteriormente, o esquema avançou para além das fronteiras estaduais, estabelecendo núcleos operacionais e ramificações nos estados do Rio de Janeiro e de Santa Catarina.

A Operação Gênesis mobilizou um aparato de mais de 300 policiais civis e militares nos três estados simultaneamente. Ao todo, a Justiça expediu 29 mandados de busca e apreensão. Nos endereços fiscalizados, os agentes apreenderam um volume significativo de armas de fogo, porções de drogas prontas para comercialização, documentos falsificados, aparelhos celulares e equipamentos eletrônicos de comunicação.

Além das 16 prisões em flagrante ou preventivas efetuadas nas ruas, a polícia cumpriu novos mandados de prisão contra cinco detentos que já cumpriam pena no sistema prisional. Três dessas ordens judiciais foram validadas em presídios da Bahia e duas no estado de Santa Catarina, isolando lideranças que continuavam exercendo influência mesmo atrás das grades.

A ofensiva policial também registrou episódios de violência e duas mortes decorrentes de intervenção policial. O principal chefe da quadrilha que ainda permanecia em liberdade, Rogério de Andrade Gonçalves, de 33 anos, reagiu à abordagem em um imóvel na cidade de Retirolândia, no interior baiano. Ele abriu fogo contra os policiais, foi baleado no confronto e não resistiu aos ferimentos.

Durante o tiroteio que culminou na morte de Rogério, um investigador da Polícia Civil foi atingido de raspão no braço esquerdo. O policial recebeu atendimento médico emergencial no Hospital Municipal de Retirolândia, realizou exames de rotina e foi liberado, pois não corria risco de morte. A polícia informou que o líder morto era quem ditava todas as execuções e o ritmo do tráfico em Águas Claras.

O segundo suspeito morto em confronto foi localizado no estado de Santa Catarina. Trata-se de Rodrigo Ventura dos Santos, de 32 anos, apontado como o homem de confiança do grupo no Sul do país. De acordo com o inquérito, Rodrigo participava ativamente na seleção de novos soldados para o crime, gerenciava o arsenal bélico da quadrilha e coordenava ataques diretos a rivais.

A complexidade da quadrilha contava ainda com suportes logísticos específicos na capital baiana. Entre os presos desta terça-feira, a polícia identificou um homem de 54 anos que atuava como o armeiro oficial do bando, sendo responsável por fabricar e modificar armamentos. Outro detido foi um produtor cultural de 53 anos, acusado de usar festas do tipo “paredão” em Águas Claras para monitorar a polícia e repassar informações aos traficantes.

Para blindar suas áreas de atuação contra o Estado, os criminosos montaram uma central tecnológica com sistemas de videomonitoramento, câmeras escondidas nas vias públicas e o uso de drones para vigiar viaturas. A Polícia Civil informou que a Operação Gênesis é um desdobramento técnico da Operação Saigon, deflagrada originalmente em setembro de 2023, consolidando o sufocamento financeiro e operacional do grupo.

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