Jogatina que assola famílias
Lula decide enfrentar bets para proteger dinheiro do cidadão
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O Brasil vive uma melhora em indicadores econômicos importantes, com aumento de renda e algum alívio no mercado de trabalho. Mas há um ruído persistente entre os números e a sensação real das famílias. E esse ruído tem nome: endividamento. Enquanto a economia dá sinais de recuperação, o brasileiro continua com a corda no pescoço.
As casas de apostas online se tornaram protagonistas dessa tragédia silenciosa. Vendidas como entretenimento, operam muitas vezes como armadilhas sofisticadas, capturando renda de quem já tem pouco. O problema não é moral, é econômico. Dinheiro que poderia circular no comércio local, pagar contas básicas ou até ser poupado, está sendo drenado para plataformas internacionais que, em muitos casos, sequer são devidamente tributadas. O mais escandaloso é que o Congresso Nacional, diante desse fenômeno, optou pela inércia (ou seria conivência?) ao evitar uma regulamentação mais dura ou uma tributação eficaz.
Ignorar o impacto das bets é, na prática, sabotar os próprios avanços econômicos. De nada adianta melhorar indicadores macroeconômicos se, na ponta, o cidadão continua afundado em dívidas alimentadas por um vício incentivado e pouco controlado. O resultado é perverso: a melhora existe, mas não chega. Ou pior, chega e vai embora rapidamente. Se há, de fato, disposição política para enfrentar o problema, como sinalizou Lula, é preciso ir além do discurso e encarar o tema com a seriedade que ele exige. Acabar com a farra das bets não é moralismo, é política econômica básica.