Curta nossa página


Chantagem de Alcolumbre fracassa

Lula sai fortalecido após dizer ‘não’ ao senador

Publicado

Autor/Imagem:
@donairene13 - Foto Arquivo

Em Brasília, quase nada acontece por acaso. A rejeição do nome de Jorge Messias pelo Senado talvez seja mais um desses episódios em que a política institucional funciona menos por critérios republicanos e mais por recados cifrados. Só agora começam a surgir os bastidores que ajudam a explicar a movimentação. Segundo a jornalista Malu Gaspar, em O Globo, o presidente do Senado, Davi Alcolumbre, estaria preocupado com os possíveis desdobramentos da delação de Daniel Vorcaro e teria buscado apoio político do presidente. Diante da recusa de Lula, veio a retaliação: dificultar a vida de Messias.

Se essa leitura estiver correta, o que aparece no horizonte é uma política movida pelo cálculo da sobrevivência pessoal. A rejeição de um nome técnico e alinhado ao governo deixaria de ser uma decisão de mérito para se transformar numa demonstração de força. É a velha política do “se não me protege, eu te constranjo”. E isso ajuda a explicar por que tantas votações em Brasília parecem obedecer menos ao interesse público e mais ao humor dos caciques.

Mas o movimento pode ter produzido exatamente o efeito contrário do esperado. Ao transformar a rejeição de Messias em uma disputa pessoal, Alcolumbre talvez tenha devolvido a Lula uma posição de força. Agora, com o senador buscando reabrir canais de diálogo, o presidente parece estar com a faca e o queijo na mão para insistir novamente no nome de Messias e fazê-lo sob o discurso da autonomia presidencial diante das pressões do Congresso. Em política, demonstrações excessivas de poder às vezes acabam revelando fraqueza.

Publicidade
Publicidade

Copyright ® 1999-2026 Notibras. Nosso conteúdo jornalístico é complementado pelos serviços da Agência Brasil, Agência Brasília, Agência Distrital, Agência UnB, assessorias de imprensa e colaboradores independentes.