Solidariedade
Luz do breu
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O velho Adamastor sentia-se só.
Naquela manhã, conversando com os seus próximos na pequena pousada em que vive, o velho disse:
– Pessoas, já não consigo enxergar nada de perto.
Nisto, Grilo, pai de Yago, tomou a decisão:
– Coroa, soube que lá no Procrep tem uma bacia cheia de óculos de grau. Vou lá.
Grilo também já não enxergava bem de perto.
E foi.
Hora depois volta o Grilo.
– Achei dois. Experimenta aí e vê.
E aí ele enxergou tudo bem nítido; e de perto,
Puxou o ar e quase não acreditou.
Enxergar sem “nuvens” após dez dias de enjoos e vida atravessada.
As situações armam tramas que em nossas trilhas nem podemos imaginar.
Vencer o breu, mesmo que por um tempo finito, pode parecer pouco, mas é imenso.
Adamastor se sentiu mais perto de todos no mundo.
Como vale o poder de uma parceria solidária.
No final da tarde, Adamastor perguntou ao Grilo:
– Quanto custou os óculos?
– Coroa, tinha uma bacia cheinha. Paguei 10 pilas.
“Pois é, vida danada de doida é inexplicável”, pensou o velho Adamastor.
Para vencer o BREU, o segredo é mesmo a solidariedade.
Quem tem AMIGOS, parceiros de estrada e travessia, nunca estará sozinho.
A vida pode ser, às vezes, uma bacia cheia de óculos de grau a preço de bananas
E leram poemas e contos até as altas horas da madrugada
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Gilberto Motta é escritor e sabe que o breu d’alma é pior que o breu dos olhos. Vive na Guarda do Embaú SC.