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Lorde inglês

Madrasta dá tchau e mostra que 01 é mero zero

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Autor/Imagem:
Misael Igreja - Foto de Arquivo

Boato, informação falsa, desinformação ou somente uma idiotizada estratégia de campanha? Verdade pela metade, mentirinha sem graça ou fake sem a news, a história de que a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro emparedou o presidenciável Flávio Bolsonaro caiu mal até nos almanaques produzidos, encadernados e distribuídos pelos sites bancados pelo bolsonarismo. Ou seja, o que quer que tenha sido, a dúvida, inimiga cruel dos fracos, gerou insegurança, desconfiança e a certeza de que o eleitorado do moço precisa repensar o voto antes de tomar uma decisão.

Como todo cidadão que suspeita de tudo que a família gera, eu não acredito, mas não desacredito. Afinal, para os membros do clã, às vezes a mentira é tão involuntária como a respiração. É a tal história de que os mentirosos são desacreditados até quando dizem a verdade. Como até agora ficou o dito pelo dito, prefiro acreditar nos bastidores dos botecos da vida, nos quais corre à boca pequena que a boa ou madrasta atirou no que viu e acertou precisamente no que não viu.

A explicação é simples: como o candidato do partido do pau-mandado Valdemar Costa Neto optou por guardar as pedras e devolver flores murchas e sem cores para Michelle, ficou claro quem manda na família adoradora de poderes. O pior é que também ficou claro para boa parte do eleitorado do menino sem pedigree que, como presidente da República, ele será um zero à direita. De forma mais objetiva, nada além de um joguete nas mãos das raposas políticas do Congresso. Exatamente como foi seu pai, o mito de coisa alguma.

Se quiserem provas concretas do que digo, basta observar os passos do candidato da extrema-direita. Em lugar de estudar com quem sabe e alinhavar propostas de alcance macro e voltadas exclusivamente para os interesses do país que acredita poder governar, o filho 01 prefere se escudar em supostas eminências políticas do exterior. Primeiro foi o inimaginável dono do mundo Donald Trump. O coisinha argentino Javier Milei é a bola da vez. Logo Milei que não consegue se sustentar nem seu próprio país.

Como se fosse uma mistura de lorde inglês com um sósia do pretensioso Elon Musk, o filho do Jair discursou num evento da comunidade judaica argentina, ocasião em que se apresentou como a peça que falta no tabuleiro da direita sul-americana. Nada mais precisava ser dito, pois argentinos, judeus e demais representantes do atraso portenho não votam no Brasil. E se votassem, duvido que o escolheriam presidente da República. A América do Sul não precisa de mais um mandatário do tipo Javier Milei.

Tanto lá quanto cá, o texto do discurso é mais do que repetitivo. Para uma plateia, cujas maiores preocupações não estão no Brasil, o presidenciável do Partido Liberal afirmou que vencerá as eleições de outubro, caso o povo brasileiro “possa se expressar livremente nas redes sociais e se os votos forem contados corretamente”. Como para bom entendedor, um pingo é quase uma frase, ficou claro que o candidato, mais uma vez, estava se referindo à suposta fraude na contagem de votos que deu vitória a Luiz Inácio em 2022.

Insensatez, inexperiência política e desespero eleitoral à parte, do ponto de vista jurídico o texto do discurso lido pelo rapaz em Buenos Aires é preocupante para quem escreveu e para quem leu. Parece que ambos esqueceram que Jair Bolsonaro perdeu a eleição para Lula e está recluso exatamente porque questionou, sem provas, a segurança e a inviolabilidade do sistema eletrônico de votação. Na melhor das hipóteses, é um indicativo de que ele vai recorrer à mesma retórica do pai. Na pior, ficou claro que, como não sabe o que diz, é impossível que saiba o que fazer diante da remotíssima possibilidade de chegar ao Palácio do Planalto.

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Misael Igreja é analista de Notibras para assuntos políticos, econômicos e sociais

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