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Cultura

Malek, Olívia, Cuarón e Lee fazem a festa

Foto/Reuters - EstadãoConteúdo
Luiz Carlos Merten e colaborou Ubiratan Brasil

Virou prioridade da Academia – depois que a transmissão da cerimônia de premiação do ano passado chegou a quatro horas e registrou a pior audiência da história, “apenas” 26,5 milhões de telespectadores nos EUA, a meta deste ano era ficar no limite das três horas. Quase deu. Passou um pouco, mas foi por uma boa causa.

Na etapa final, os Oscars surpreenderam. Melhor ator, para Rami Malek, o Freddie Mercury de Bohemian Rhapsody, e ele, filho de um imigrante egípcio – a primeira geração norte-americana da família -, destacou não apenas isso, mas estar interpretando um homem gay, para fazer um discurso político pró-aceitação e contra homofobia.

Melhor atriz, Olivia Colman, de A Favorita, derrotando Glenn Close, cuja vitória todo mundo dava como certa. Olivia estava tão emocionada que se deixou levar. Como não tinha preparado nada, disse o que lhe veio à mente. Foi aplaudida de pé, e Glenn Close agora fez história como a atriz com o maior número de indicações a nunca receber o prêmio.

Alfonso Cuarón venceu como melhor diretor, por Roma. Em 2014, ele iniciou a série de vitórias de cineastas mexicanos, com Gravidade. Vieram depois Alejandro González-Iñarritu, por Birdman e O Regresso, e Guillermo Del Toro, no ano passado, por A Forma da Água. Cuarón venceu também os prêmios de fotografia e melhor filme estrangeiro. Na entrada para a festa, ele já havia dito que narrar sua infância pelo ângulo da babá amada era uma forma de levantar uma discussão social, e no México o filme virou bandeira pelos direitos (inexistentes) das domésticas. “Vivemos uma era em que somos estimulados a não olhar para o outro, mas nós olhamos e é a função da arte.”

E veio o Oscar de melhor filme – para Green Book – O Guia, que já recebera o prêmio do Sindicato dos Produtores. A estatueta destacou um bom filme, mas não o melhor, e menos ainda depois que tantos atores e técnicos negros foram premiados, e Barbra Streisand fez aquela apresentação para Infiltrado na Klan, e Alfonso Cuarón somou tantas vitórias. O Oscar de 2019 destacou a diversidade. Os 20 minutos a mais passaram batidos.

A cerimônia começou pontualmente às 22h, horário do Brasil, com Adam Lambert e a celebração da banda Queen. Punhos levantados, a plateia inteira cantou We’re the Champions. O primeiro prêmio, de melhor atriz coadjuvante, foi para Regina King, de Se a Rua Beale Falasse. Regina fez um discurso lindo de agradecimento à mãe. Ter sido uma criança amada lhe permitiu chegar até ali. “Thanks, mommy.” Na primeira fila, sua mãe chorava copiosamente.

As apresentadoras do primeiro prêmio, entre elas Tina Fey, anunciaram o que já se sabia. Não haveria âncora – e Maya Rudolph acrescentou que o México não ia pagar pelo muro. Gargalhada geral. Javier Bardem, ao apresentar com Angela Bassett o Oscar de filme estrangeiro, no tema do muro – “Não existem muros capazes de segregar o talento.” Apresentado por Stephan James, de Se a Rua Beale Falasse, o Oscar de maquiagem foi para Vice, em que Christian Bale e Amy Adams estão realmente fantásticos, obesos e envelhecidos, interpretando o ex-vice-presidente Dick Cheney e a mulher.

Irreconhecível emulando os coelhos da rainha de A Favorita, Melissa McCarthy anunciou o Oscar para costume design/figurinos – que foi para Pantera Negra. Jennifer Lopez e Chris Evans apresentaram os finalistas para ‘production design’ – e o prêmio também foi para Pantera Negra, que ainda venceu o prêmio de trilha, para Ludwig Goranssom.

Ainda na celebração de artistas negros no Oscar, Spike Lee recebeu seu primeiro prêmio da Academia – de roteiro adaptado – por Infiltrado na Klan. E Mahershala Ali repetiu, por Green Book – O Guia, a estatueta que recebera há dois anos por Moonlight – Sob a Luz do Luar. Foi sucinto, e agradeceu à sua avó, que o ensinou a pensar positivo – “Sem ela no meu ouvido, me incentivando a querer, a sonhar, não teria chegado aqui.”

O prêmio de edição de som interrompeu a série de vitórias de Pantera Negra e, compreensivelmente, foi para Bohemian Rhapsody, que emendou em seguida o de mixagem de som e o de montagem. Com o prêmio para Rami Malek, Bohemian Rhapsody somou quatro estatuetas.

Melhor longa de animação? Homem-Aranha no Aranhaverso. Melhor curta – Bao, o primeiro da Pixar dirigido por uma mulher, Domee Shi.

À meia-noite, exatamente, um momento mágico. Lady Gaga ao piano, cantando com seu diretor e parceiro de cena – Bradley Cooper – o tema de Nasce Uma Estrela. Gaga ganhou o prêmio de canção por Gaga. Chorou no palco e deixou mensagem de esperança. “Eu sonhei muito com isso. Com trabalho, perseverança e talento, sonhos se realizam.”

O prêmio de melhor documentário, anunciado por Helen Mirren e Jason Momoa, o Aquaman, destacou Free Solo, na National Geographic. O filme narra os bastidores da façanha de Alex Honnold, que conseguiu escalar El Capitán, o paredão de 975 metros, o mais alto do mundo que alguém já enfrentou, em Yosemite, sem cordas nem equipamento de proteção.

No cômputo geral, foi um Oscar que vai marcar pelas surpresas. Num momento sempre emocionante, o da homenagem aos mortos, a Academia conseguiu inclui Bruno Ganz e Albert Finney, mas ficou de fora o grande diretor Stanley Donen, que morreu no fim de semana.

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