Sol Nascente 3

Mesmo à luz do dia, e quando o sol se põe, o crime domina

Foto/Arquivo Notibras
Pedro Nascimento

Os dados relacionados à segurança pública no Sol Nascente nunca são claros. Estão sempre associados aos de seus vizinhos mais próximos, Ceilândia e o Pôr do Sol, outro desdobramento habitacional. Dificilmente é possível conseguir um número preciso sobre o índice. O motoboy Rivelino vê muita coisa em suas andanças e revela seus temores: “É muito perigosa. Estamos vivendo com assaltos constantes e tráfico de drogas na nossa cara”, desabafa.

“Para mim é uma batalha ter que deixar meus filhos e a minha mulher e esperar sempre que nada aconteça com eles”, lamenta. Isso porque, há alguns meses, tentaram assaltar a casa do motoboy durante à noite, enquanto estavam apenas a esposa e os filhos. “Estava em casa dormindo e ouvi alguém mexendo no portão. Pensei que era o Rivelino e até perguntei se era ele, mas ninguém respondeu. Foi quando eu percebi que estavam tentando arrombar o meu portão. E eu não tinha o que fazer!”, conta Domingas de Sousa, de 29 anos.

Para tentar se proteger, ela pegou um pedaço de madeira e o fez de arma. De tanto tentarem arrombar o portão da casa, os bandidos desistiram. Mas o episódio ainda não foi apagado da mente dos dois. “De vez em quando eu tenho pesadelos sobre isso. É algo que nunca vai me deixar em paz”, diz Domingas.

Além de toda a violência, a população ainda tem de conviver com grupos de traficantes da região. Segundo o dono de uma pizzaria na vizinhança a regra é simples: Você pode ver e ouvir, mas não pode falar, nada pode sair da região. “É complicado. A maioria dos meus clientes vendem drogas, andam armados, mas não tem muito o que fazer. A gente fica calado e finge que não viu”, revela o empresário que prefere não se identificar.

De acordo com o comerciante, no começo era preciso autorização para entrar em alguns bairros. “Aqui no Condomínio Pinheiros melhorou muito. Antes nem a minha família podia vir nos visitar, os traficantes só deixavam quem conheciam”, conta. Para ele, no entanto, a pior parte da falta de segurança é saber que o filho de dois anos pode ser influenciado no futuro. “Crimes acontecem em todo lugar. O pior para mim são os exemplos que o meu filho vai ter, as amizades que vai fazer. É muito fácil se envolver nessa vida de crime vivenciando isso no dia a dia”, pondera.

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