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Petrobras já era

Metendo o pé pela mão, capitão abre Brasil à nova era de colonização

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Foto/Imagem:
Pretta Abreu, Edição/Via Pátria Latina - Foto de Arquivo

Desde a “primavera do centavo”, em 2013, o Brasil vem sendo seguidamente atacado pelas finanças apátridas e marginais. Há motivo para este ataque ao nosso País: a descoberta do pré-sal, imensos reservatórios de petróleo em águas oceânicas brasileiras, da bacia de Santos à Potiguar, estimados em mais de 100 bilhões de barris, apenas na área já perfurada. E que dariam suporte aos muitos trilhões de dólares sem lastro, que inundam os fundos financeiros no Brasil e no mundo.

A especulação, desde as desregulações dos anos 1980, mais intensamente após o fim da União Soviética (1991), fez de papéis sem suporte em bens fisicamente existentes a base de suas captações e movimentações financeiras.

Exemplo: o banco X cria o Fundo Global Privilegiado, composto de títulos emitidos por empresas conhecidas: Nestlé, Amazon, GE, e insere títulos do próprio banco e de empresas sem capital para tanto. Suponhamos que na proporção de um com lastro para 10 sem lastro. Bem mais modesto do que a realidade. Assim, o banco passa a fazer da venda de cotas deste Fundo, seu grande objetivo. Estará vendendo papel podre por dinheiro real dos clientes e investidores. No mesmo princípio da pirâmide financeira, o banco distribui rendimentos, digamos trimestrais ou semestrais. Mas, como é evidente, o buraco cresce até ficar impagável. Isto ocorre com a maioria dos bancos estadunidenses, europeus, e outros tantos pelo mundo afora, inclusive no Brasil. Cada vez mais fundos e captações são necessárias.

Pela primeira década do século XXI a situação já estava fora de controle, a crise 2008/2010 teve esta origem e não foi solucionada. O volume de recursos do pré-sal, a 100 dólares o barril, vai a trilhão de dólares. Impossível deixar tal fortuna desenvolvendo um país de terceiro mundo, ainda mais tendo elite corrupta, escravagista e população dominada pela pedagogia colonial.

Prepara-se, com a colaboração dos órgãos públicos dos Estados Unidos da América (EUA), da venal justiça brasileira, da ainda mais corrupta, se possível, mídia televisiva, radiofônica e impressa, e manifestações de rua, pagas com mortadela, o golpe de 2016: Mensalão, Lava Jato, Petrobrás quebrada e saqueada, destruição de empregos e por aí afora.

Neste cenário, com mais intensidade e afinco, se dá o prosseguimento ao que Fernando Henrique Cardoso iniciou: a alienação do patrimônio brasileiro, dos ativos que são fruto de gerações que tiveram por objetivo deixar um país melhor para seus descendentes.

Os casos são muitos, inundariam páginas de jornais, livros, relatórios; mas vamos narrar um que é doloroso, porém exemplar. Ocorreu na Bahia, onde aportaram os primeiros europeus colonizadores, “onde tudo começou”, segundo o poeta e compositor paulista Arnaldo Antunes.

Lá foi inaugurada, em 17 de setembro de 1950, a primeira refinaria construída no Brasil, no município de São Francisco do Conde, que veio a tomar o nome do político baiano que lutou pela criação da Petrobrás, senador Landulfo Alves de Almeida (1893-1954), a RLAM – Refinaria Landulfo Alves Mataripe.

Em 24 de março de 2021, o conselho de administração da Petrobrás “aprovou” a venda da RLAM para a Mubadala Capital pelo valor de US$ 1,65 bilhões.

A Mubadala nem é empresa de petróleo. É uma empresa financeira estatal de Abu Dhabi, a capital dos Emirados Árabes Unidos. Em 2015, a população deste Emirado era 80%, aproximadamente, composta de estrangeiros: trabalhadores expatriados da Índia, Paquistão, Eritreia, Etiópia, Somália, Bangladesh, Sri Lanka, Filipinas e países do mundo árabe.

Mubadala Capital, o braço de gestão de ativos do fundo soberano de Abu Dhabi, começou a operar, em novembro de 2021, sob uma nova estrutura de propriedade. Agora é uma subsidiária integral de gestão de ativos dentro do portfólio de investimentos da Mubadala. A empresa foi criada em 2011, tem mais de US$ 15 bilhões em ativos sob sua gestão, possui escritórios em Londres, Nova Iorque, São Francisco, Rio de Janeiro e a sua sede em Abu Dhabi.

O septuagenário califa Al Nahyan, falecido recentemente, em 13 de maio de 2022, era o dono de Abu Dhabi. O xeque Mohamed bin Zayed, príncipe herdeiro de Abu Dhabi, é o presidente da Mubadala. Mohammed Al Maktoum, o atual primeiro-ministro, Emir de Dubai, é o homem mais rico do Emirado. E foi este último quem recebeu, em novembro de 2021, Jair Bolsonaro e família em viagem de uma semana pelo Emirado, verdadeiras férias.

Refino de petróleo
O petróleo bruto é complexa mistura líquida de compostos orgânicos e inorgânicos em que predominam os hidrocarbonetos, desde os alcanos (compostos formados apenas por átomos de carbono e hidrogênio, de cadeia aberta e somente com ligações simples entre seus carbonos) mais simples até os aromáticos mais complexos. Sob as temperaturas e pressões da destilação, saem do processamento os seguintes derivados, dos mais leves para os mais pesados: gás (butano e inferiores), gasolina, nafta, querosene, diesel leve, diesel pesado, resíduos. Estes derivados têm graus definidos pelo American Petroleum Institute (API) conforme sua densidade: gasolina tem API 60, nafta 50, asfalto 11.

Tanto o petróleo bruto quanto os derivados, são os mais leves aqueles que encontram maior preço na comercialização. Mas uma refinaria estatal não está dirigida apenas para lucro, porém e fundamentalmente para atender a demanda da sociedade a quem serve. A ex-RLAM é praticamente monopolista para a região nordestina, Bahia e Sergipe. Entre seus clientes de grande importância para a sociedade que vive em torno da Baia de Todos os Santos estão as embarcações que ligam os municípios em torno da Baia (Cachoeira, Candeias, Itaparica, Jaguaripe, Madre de Deus, Maragogipe, Salinas da Margarida, Salvador (capital da Bahia), Santo Amaro, São Felix, Saubara, Simões Filho, Vera Cruz e o da própria refinaria: São Francisco do Conde). Estas embarcações transportam diariamente pessoas e produtos, sem os quais a vida ficaria se não impossível, muito mais difícil.

Sendo uma financeira a atual dona da Refinaria, agora denominada simplesmente Mataripe, como se fosse possível esquecer a história, deixou de produzir óleo combustível, de cerca de 18º API, para as embarcações. Como o custo de reprocessamento é ridículo, menor do que R$0,001/barril, e se obtém derivados de maior valor, ao deixar as embarcações paradas, “a ver navios”, a Refinaria Mataripe lucra mais com a venda de querosene, gasolina e gás. E os baianos que precisam daquelas embarcações para trabalhar, para transportar os produtos que irão alimentá-los, a suas famílias, ora, que se danem, como certamente se danam os 80% dos habitantes do Emirado Árabe.

Mas não fica apenas neste desabastecimento, como informa o presidente da AEPET-Ba, Marcos André dos Santos: “desde a privatização da RLAM, a Acelen, que administra a refinaria, tem aumentado os preços dos combustíveis, a cada semana. No começo de fevereiro, o preço do gás de cozinha foi reajustado novamente entre 9,1% e 9,4%”. Mais recentemente este atuante profissional da Petrobrás, informou que, na quarta-feira, “02/03, o botijão de gás de cozinha sofreu aumento de 3,24%”.

E o diesel S-10, em Mataripe custa 24,3% mais caro do que o vendido nas refinarias da Petrobrás. E, cinicamente, o presidente Bolsonaro, que designa o presidente e seis dos onze membros do Conselho de Administração da Petrobrás, diz que nada pode fazer quanto aos preços dos derivados porque não manda na Petrobrás. Até parece, capitão.

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