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Manda Chuva e Guarda Belo

Milícia do Rio desembarca em Brasília e rouba segredos da PF

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José Seabra, Diretor-Editor/Imagens Reprodução

A antiga sede da Polícia Federal em Brasília, encravada numa selva de pedras nos miscigenados setores de Autarquias e Bancário Sul, ficou conhecida por longos anos como Máscara Negra ou simplesmente Idi Amin Dada. A associação com o ex-ditador de Uganda nos anos setenta do século passado, quando aqui o pau também comia solto a mando dos generais de plantão no Planalto, se justificava: preto por fora e sanguinário por dentro.

Os tempos passaram. Hoje os federais, onde um ou outro dirigente age como verdadeiro nababo, ocupam um suntuoso espaço de 18 mil metros quadrados no Edifício Multibrasil Corporate, erguido no Setor Comercial Norte, por onde circulam mais lobistas e advogados do que torcida no Maracanã em dia de Fla-Flu.

A sede é alugada a um custo astronômico. Como o contrato de locação tem duração de meia década, serão quase 90 milhões de reais sangrando do bolso do contribuinte. Isso sem contar os reajustes provocados pelos índices inflacionários. O conglomerado é de propriedade da empresa Multi Construtora e Incorporadora, dirigida pela família Baracat em Brasília com diversos contratos com órgãos públicos.

Casa nova, mas problemas antigos, principalmente na área de vazamentos, como se fosse uma velha mansão fantasmagórica onde o som de pingos d’água caindo em poças enlameadas fazem o espectador arrepiar. Diante desse quadro, o alvoroço volta a reinar entre os federais. A exemplo do que acontecia na época de Idi, reaparece o uso da máscara negra que passa com o carro na frente dos bois.

Esse novo imbróglio teve início em maio último, quando a instituição, que por lei deve investigar crimes apenas na área federal, decidiu interferir nas investigações de um furto supostamente comum registrado na Polícia Civil do Distrito Federal. Então, por que cargas d’água a PF tinha de meter o bedelho no que não lhe diz respeito? Vamos aos fatos.

1) a vítima é o delegado aposentado da Polícia Federal Luiz Fernando Corrêa. Mora em uma mansão em um condomínio na milionária região do Park Way. Ele é gaúcho, esteve ligado a Tarso Genro, e foi diretor-geral da PF no segundo governo de Lula após chefiar a SENASP durante o Panamericano no Rio de Janeiro, no primeiro governo petista. Hoje é um empresário bem-sucedido que vende (para a administração pública) equipamentos de segurança e inteligência artificial de tecnologia israelense e chinesa, destinados aos 007 tupiniquins;

2) a ocorrência policial foi registrada pelo delegado aposentado às 13h53 do dia 4 de maio de 2022, na 11ª Delegacia de Polícia Civil do Núcleo Bandeirante, que apura crimes na região do Park Way;

3) no histórico, Luiz Fernando Corrêa admite ser colecionador de armas. Há quem diga que sejam equipamentos de fazer inveja a museus das I e II Guerras Mundiais. Essas armas, de valor imensurável, ficam expostas em uma imensa parede. Porém, nenhuma delas foi levada;

4) os invasores da mansão agiram por cerca de 40 minutos. Sabiam o que buscavam. Abriram milimetricamente um cofre onde havia moedas em euro, dólar e real, além de joias. Toda essa fortuna ficou intocável. A única coisa surrupiada foi um notebook Apple. A porta do cofre, como quem diz ‘estivemos aqui’, ficou escancarada;

5) mas, como segredos não ficam apenas em laptops, os criminosos, também com métodos altamente técnicos, levaram as fitas das câmeras de segurança dos circuitos interno e externo da mansão. Imagens e áudios de quem entrava, conversava e saía da residência de Corrêa trocaram de mãos.

Polícia contra polícia
Feita a ocorrência policial e instaurado o devido inquérito de número 203/2022 na 11ª DP, policiais especializados (agentes, papiloscopistas e peritos criminais), se deslocaram ao local do crime. Contudo, após um longo e exaustivo trabalho, não encontraram quaisquer fragmentos da ação criminosa.

Primeira conclusão, sem precipitação: o trabalho foi feito por verdadeiros profissionais.

Embora aposentado, Luiz Fernando Corrêa é conhecido na Polícia Federal como Manda Chuva. É esperto a ponto de passar a perna no ministro da Justiça e Segurança Pública Anderson Torres. Algo que, comparado, remonta às histórias do Gato com o Guarda Belo.

Assim, usando de todo o poder de que dispõe, a vítima colocou a própria Polícia Federal em ação. E a direção da instituição dirigiu ofício à 11ª Delegacia Policial, pedindo cópia do inquérito e seu respectivo andamento. Entretanto, como os policiais civis de Brasília vivem às turras com os policiais federais, o pedido não teria sido atendido. Até porque, como não se trata, teoricamente, de crime federal, não havia necessidade dessa intromissão.

Mas, como manda (Corrêa) quem pode e obedece (a atual direção da PF) quem tem juízo, a Polícia Federal decidiu fazer sua própria investigação paralela, embora reservadamente, sem caráter oficial.

E lá foram para a mansão do Park Way delegados, peritos e agentes. Viraram tudo de cabeça para baixo, sem sucesso. A exemplo da perícia realizada pela Polícia Civil, os federais não encontraram nenhum vestígio de crime. Sequer uma digital, salvo a do Manda Chuva e de sua esposa, além das de frequentadores habituais, supostamente cidadãos acima de qualquer suspeita.

Milícia em ação
No âmbito da Polícia Federal, os indícios mais próximos a que se chegou, são de que Corrêa foi alvo de uma ação de milicianos do Rio de Janeiro, dado o caráter profissional do furto. Os motivos são desconhecidos, mas como há muito segredo em jogo, o uso do verbo chantagear, no futuro do pretérito, começa a ser admitido.

Nos corredores daquele imponente prédio espelhado do Setor Comercial Norte, margeado pela Avenida W-3, comenta-se, sem reservas, que é mais fácil escapar do Labirinto do Minotauro, do que elucidar o caso. A Operação Alabama, composta por delegados progressistas que agem secretamente à revelia da cúpula da PF para garantir que Lula não sofra atentado durante a campanha eleitoral, compara a invasão à mansão do Park Way a um espetáculo hollywoodiano do tipo O Poderoso Chefão.

Os personagens, porém, são semelhantes a plantas parasitas, que espalham ramagem para sugar energias alheias, no caso específico, do campo moral. São as epífitas, como bromélias, que exalam seu doce aroma enquanto articulam um abraço de urso. Esses milicianos do Rio, como admitem componentes do grupo Alabama, desembarcaram em Brasília como ervas de passarinho para roubar segredos da Polícia Federal.

As conclusões são lógicas. Como os documentos furtados são bombásticos, com certeza virá chantagem pela frente. Áudios e imagens das câmeras de segurança já começam a pipocar em grupos reservados; o HD do notebook foi acessado sem que o equipamento fosse ligado, dificultando, assim, sua localização; personagens que frequentavam a mansão de Corrêa, podem ser expostos; e o velho grupo que tenta fazer da Polícia Federal uma Casa da Mãe Joana, vai chantagear ou será chantageado, independente de quem venha a ocupar o Palácio do Planalto a partir de janeiro de 2023.

Como diria um amigo ‘negão’, Hélio, que não o bicudo, prepara uma contraofensiva. Vai soltar aves de rapina para devorar toda ramagem que aparecer pela frente. Disso depende seu futuro como papagaio de pirata. Portanto, que se trata de coisa de milicianos, não há dúvidas.

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