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Brasil

Militares avaliam que é a hora de acertar o passo

Foto: Tomaz Silva/ABr
Genesco Benatto

Militares das três Forças, de todas as patentes e graduações, da ativa, da reserva e reformados, começam a manifestar preocupação com os desencontros de informações e decisões que vêm provocando manchetes negativas para o Palácio do Planalto. Não há curto-circuito fatal (ainda), ponderam. E avaliam que isso é consequência da ascensão da direita ao Poder no Brasil, fazendo brotar novidades políticas, como seria de se esperar, mas não necessariamente de se desejar.

Atentos ao panorama, militares de altas patentes ouvidos por Notibras nas últimas duas semanas, identificam três grupos distintos e antagônicos nos primeiro e segundo escalões. São todos protagonistas das mudanças necessárias, mas se apresentam como linhas paralelas, que jamais se encontram. Nesse universo também têm sido observados os oportunistas de última hora, que lançam olhares fortuitos tentando se encaixar em áreas específicas, mas que serão sempre outsiders do projeto de governo que venceu as eleições.

Nas conversas com esses militares nota-se cristalinamente que há três grupos principais, de acordo com os mais recentes acontecimentos, e uma notória separação, onde se destacam os próprios representantes das Forças Armadas (na realidade, militares da reserva), os Olavetes (indicados de Olavo de Carvalho), e os demais, chamados de terceiro grupo, que angariam simpatias entre o primeiro e segundo grupo, embora a nenhum deles pertençam. Observa-se também que não se deve confundir Olavetes com Olavistas. Estes últimos são apenas simpatizantes do filósofo ou de sua filosofia.

Até aí, segundo interpretação de um interlocutor que circula livremente pela Esplanada dos Ministérios e Praça dos Três Poderes, nada demais. Aceita-se até como salutar a heterogenia, desde que com o fim patriótico. O problema é que também é onde começam a se criar vaidades, o que leva à disputa por espaços. E muitas vezes – motivo de real preocupação -, com fins pouco republicanos.

Militares têm em sua formação, obrigatoriamente, estudos aprofundados de estratégia, de visão geral de Brasil, e de comando. A visão dos Olavetes é de ideologia e teorias com base em supostas potencialidades nefastas de um inimigo constante e real representado pela esquerda. Os demais, tenderão para um ou outro lado.

Um relatório não necessariamente aleatório registra que nos grupos fechados de trocas de mensagens, muito se fala da “Ala Moderada” dos militares, predominante no governo Bolsonaro, assim como, também é notória a visão de uma ‘Ala Radical” de Olavetes.

Realistas, os militares, como analistas, sinalizam que seria prejudicial a qualquer desses grupos tentar abraçar o Céu ou a Terra com as próprias mãos. Mesmo porque, do ponto de vista dos militares, não se conhece nome na caserna que vá ao encontro do que se entendia por “ala dura”, justamente porque o militar, desde há muito, é um cidadão constitucionalista, que jurou sua vida ao País, e nunca esteve contra o povo de onde ele mesmo se origina. Na visão geral, o inimigo é comum – a esquerda alinhada ao Foro São Paulo, salientam -, e os olhares devem se voltar para o mesmo alvo.

Ainda na mesma análise, pontua-se que os militares têm praticamente “no sangue” algo que jamais foi o forte de Olavo de Carvalho, que é o entendimento de estratégias de comando, por formação obrigatória de carreira. Nesse cenário é difícil imaginar um sequer que não transpire Sun Tzu, e suas técnicas milenares e sempre atuais da Arte da Guerra. Pecam, porém, pela quase total ausência de vivência política com a sociedade civil, que não tem muito a noção de hierarquia e muito menos do que seja disciplina, de um modo quase geral. Não necessariamente por defeito da vida civil, mas por serem formações muito diferentes, em função das especificidades da vida castrense.

Já os Olavetes são, em sua quase totalidade, pessoas ávidas por cultura ideológica, inimigos naturais do marxismo, que identificam o que consideram presença maligna de intenções canhotas em qualquer lugar, e que sabem onde podem chegar as consequências, caso prosperem. Entretanto, os seguidores de Olavo de Carvalho falham pela falta de conhecimento de estratégia, ponto fraco do filósofo que vira e mexe é maldosamente denominado guru de Bolsonaro. O problema é que sua eficácia sempre esteve calcada no alarde e no exagero, para gerar resultados. Tem méritos, é verdade. E a eleição do ‘capitão’ se deveu em muito a esse modo de impulsionar suas teorias. Mas o que funcionou para ajudar a criar um inconsciente coletivo a ponto de eleger um candidato, tem-se mostrado muito pouco eficaz para governar.

Os demais são pessoas engajadas em mudar o Brasil, que apresentam um perfil bem definido de direita e alguma vivência política, mas correm o risco de fracassar pela falta de conhecimento estratégico para agir, e de base filosófica para identificar as supostas maldades inerentes às ideologias de esquerda.

Nas informações analisadas por esse grupo de militares, é enfatizado que todos, contudo, têm seus egos, lutam por suas crenças e se veem na obrigação de colocá-las acima das dos demais. Isso tudo é ingrediente para formar e alimentar confusão, muitas vezes ampliadas pelas lentes da mídia, notadamente aquela que faz oposição aberta ao governo, jogando lenha nas cinzas que restaram de uma fogueira.

É justamente esse prato indigesto, devidamente delineado, que se apresenta à mesa do presidente da República. Falta uma cabeça capaz de corrigir essas falhas, dando o mesmo tom a vozes hoje destoantes. A sugestão que deve ser levada ao presidente aponta para a criação de um comitê de crise para agir, ao menos enquanto houver essa dissonância, que é comum em solo devastado. Afinal, pontuam, foram mais de três décadas de governos de esquerda.

Se Bolsonaro acatar a ideia que está sendo desenhada, esse grupo prestará contas ao próprio presidente, mas se reportando também à Vice-Presidência, GSI, Casa Civil e Secretaria de Governo. O importante é acertar o passo, lembrando o lema do presidente da República, que o Brasil está acima de tudo, inclusive e principalmente de picuinhas internas. Na mesma linha recorda-se, em momentos atemporais, a famosa frase do general Paulo Chagas, para quem “não há a opção de este Governo não dar certo”.

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