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Militares resgatam credibilidade na corrida às urnas eletrônicas

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Pretta Abreu - Foto Reprodução

Analistas políticos têm detectado nas eleições de 2022 no Brasil um fenômeno novo, que nunca havia sido percebido antes na história da República: uma súbita e inédita elevação no número de candidaturas de militares, das mais diferentes tendências políticas. Por certo, um dos motivos é a credibilidade que essa categoria – sejam as Forças Armadas, sejam as forças auxiliares –  detém sobre a sociedade, independente de ideologia.

O fenômeno é atribuído também à edição da Emenda Constitucional 111/21, que conferiu maior peso aos votos de candidaturas femininas e de pessoas negras no cálculo da divisão do fundo partidário e do fundo eleitoral, além – é claro – da sanção da Lei 14.208/21, que instituiu as federações partidárias, que constituem associações entre dois ou mais partidos por um período mínimo de quatro anos.

Na avaliação desses analistas, o objetivo de tais medidas é evitar a criação de ‘coligações eleitoreiras’ e reduzir a fragmentação partidária, fatos verificados até as eleições de 2018, além de propiciar o aumento da diversidade racial e de gênero dos eleitos. Com isso, houve a elevação da cláusula de desempenho, que se refere ao mínimo de votos necessários para se ter acesso ao fundo partidário e ao horário gratuito de rádio e televisão.

Todavia, com a implementação de tais medidas, ocorreu também uma redução acentuada do interesse de civis em concorrer às eleições. Assim, com menos civis se candidatando, uma vez que muitos não se enquadram nos novos critérios, há menos acesso ao fundo eleitoral pelos partidos, razão pela qual as legendas partidárias começaram a procurar nas forças militares o preenchimento das vagas em aberto.

Claro, muito desse novo movimento é decorrente também da escolha eleitoral de um presidente militar e de uma polarização radical que ocorre há anos no País. Polarização, ressalte-se, que se intensifica, cujo resultado é imprevisível. Todo este contexto político favoreceu a motivação para que os militares participem do processo eleitoral.

Dentre as diversas patentes que vão constar nas urnas em 2022, podem ser vistas as de general, tenente, comandante, coronel, major e, evidentemente, capitão. São, ao todo, mais de 1,5 mil candidatos ligados às Forças Armadas, à Polícia Militar e ao Corpo de Bombeiros.

Além disso, seus nomes de legenda também vão estampar suas patentes. Mas não apenas servidores da ativa irão concorrer, uma vez que muitos candidatos são militares reformados. Toda esta realidade de agora contrasta com a verificada nas eleições de 2018, quando 1 mil 186 candidatos declararam ocupação militar ou utilizaram patentes em seus nomes de urna. Urnas, aliás, que definirão democraticamente o que fardados e de pijamas, eleitos, tomarão para dar os rumos que o Brasil deve seguir.

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