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Fim da enganação

Mito isolado vê o apagar de luz de governo nunca imaginado

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Foto/Imagem:
Wenceslau Araújo - Foto de Arquivo

Entre o medo de tentar e o de não saber governar há pouca diferença. O problema é quando o líder de um país tem convicção de que está por um fio, nada faz para melhorar sua imagem (pelo contrário) e, interna e externamente, busca – insistente e criminosamente – fórmulas escusas e supostamente capazes de manter seu fôlego político-eleitoral. Triste de uma nação cujo mandatário só pensa em si. Além dele, no máximo na família. É o cenário cabuloso e tenebroso do Brasil de nossos dias. Rejeitado pela maioria de seus pares democratas e sem ter o que dizer ou mostrar na 77ª Assembleia Geral das Nações Unidas (ONU), o mito brasileiro estará como dantes: isolado, esquecido e desgarrado. Talvez faça como fez em Londres e acabe se irritando com perguntas que não consegue (ou não sabe ) responder.

Irritação fora de hora e desmedida, pois sua estada na capital inglesa – onde deveria ter ido para o funeral da Rainha Elizabeth II – serviu para tudo, menos para prestar condolências à família real. Portanto, indagações decentes são cabíveis quando há decência no assunto a ser jornalisticamente acompanhado. Não foi o caso. Em Nova York não será diferente. Na ausência de interlocutores mais distintos e conceituados, caberá a Jair Messias encontros fortuitos, desinteressantes e desimportantes com líderes de países insignificantes dos pontos de vista econômico e geopolítico. Bem longe de Joe Biden e dos principais representantes europeus, Bolsonaro deverá conversar com os presidentes da Polônia, Sérvia, Guatemala e Equador, todos vinculados à extrema-direita. É o que consta da agenda.

Nada de novo nesse alinhamento extremado. Na verdade, é só o que lhe sobrou. Essa forma de pensamento vem causando estragos satânicos ao Brasil e a seu povo. No entanto, tudo indica que nada mudará. A probabilidade de voltarmos ao status anterior – o de país amado no exterior e procurado por variados investidores – é única: recuperarmos o bem mais precioso de uma sociedade: o dom da democracia. Nesses três anos e nove meses de administração bolsonarista, enfrentamos uma sucessão de erros crassos e de acertos controversos, a maioria com riscos sociais e econômicos de complicada reversão. Certamente levaremos algumas décadas para que todos sejam pelo menos amenizados. Talvez um século para consertá-los. É o ônus das escolhas mal feitas. Me causa espécie o fato de duas dúzias e meia de vândalos tentarem intimidar quem se opõe a Bolsonaro quando ele destila ódio e mentiras no exterior.

Se o mito e o bolsonarismo são tão bons assim, por que essa horda de zumbis não volta correndo para o Brasil? Perdoem-me os que se deixaram levar pelo fanatismo barato, mas me apontem meia dúzia de propostas pensadas, formalizadas e aprovadas por Bolsonaro. Não valem as extraídas dos almanaques de governos anteriores. Além de plágio, esse tipo de prática é sacana. Mudar nomes de programas e repassar como seus é tornar mundialmente pública uma ineficiência que estava limitada ao plano nacional. Triste de um presidente que erra, erra, erra, erra, erra novamente, continua errando e jamais tenta acertar. Pior é não ter a humildade de reconhecer que desconhece os caminhos que o levem à execução das tarefas para as quais foi escolhido. Se fosse humilde, estaria desde já informando ao eleitorado que, caso receba uma nova oportunidade, tudo fará para aprender.

Não sei quem, mas alguém precisa informá-lo que poucos, muito poucos, nascem sabendo. Menos ainda são aqueles que, ao longo da vida, são capazes de “vender” ou repassar conhecimentos. Para nossa infelicidade, o perfil mais tirânico abrange os que confundem escolaridade com cultura, universidade com aprendizado. A maioria adquire conhecimentos pelo caminho da vida. Curiosamente, são os mesmos que querem controlar as urnas eletrônicas e, por consequência, o sistema eleitoral brasileiro. Uma pena que os tempos não voltem. Lamentável, mas tempo bom não volta mais. Resumindo o pesar, aos mais antigos resta a saudade de outros tempos iguais. Aos mais novos, a obrigação de conviver com Jair Bolsonaro e ter de votar em outro extremo para evitar o caos total.

Estamos no apagar das luzes de um clássico desgoverno nunca dantes imaginado. Já vivemos algo parecido, mas nunca igual. Por exemplo, quem, por prazer ou desprazer, não se lembra de governantes como Pedro I, Pedro II, Deodoro e Hermes da Fonseca, Floriano Peixoto, Getúlio Vargas, JK, João Goulart, José Sarney, Itamar Franco, Fernando Henrique Cardoso e Luiz Inácio. Fora os fanáticos e as viúvas da ditadura, quem se lembrará de Jair Bolsonaro como presidente da República daqui há dez, 15 ou 20 anos? Acredito que nem mesmo os familiares. Provavelmente, o povo da sabedoria jamais deixe de denominá-lo poste, como foram Jânio Quadros, Fernando Collor, Dilma Rousseff e Michel Temer. A história não perdoa aventureiros, incompetentes, tampouco enganadores. Em menos de 15 dias saberemos quem tem razão. Hoje, o que sei é que, caso Lula suba mais dois ou três pontos percentuais, o governo passará a doar gasolina, álcool e diesel.

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