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Brasil

Moro, Rosa e Fux são alvos das fake news

Foto/Arquivo Notibras
Ka Ferriche

Com a pomposa denominação de Seminário Internacional Fake News e Eleições, autoridades deixaram tarefas mais produtivas para discutir o indiscutível em Brasília, nos últimos dias 16 e 17. Perderam tempo ministros como Sergio Moro, Rosa Weber e Luiz Fux, com a participação da francesa representante da União Europeia Hilde Haderman. Pelo resultado, foi fake meeting. Nenhum fundamento, nenhum caminho, nenhum resultado.

A gênese de uma aparente ameaça global é algo que sempre existiu e que a internet foi escolhida como patrona e hospedeira da maldita inimiga das pessoas nos tempos atuais. Está na moda. A ignorância para tratar do assunto reside em princípios básicos e conceituais do problema.

É fácil entender: quando coleguinhas na escola promovem bullying contra meninos vulneráveis, é fake news; quando emissoras de TV editam entrevistas de forma comprometedora, fora do contexto original, é fake news; quando um presidente da República afirma que não “sabia de nada”, sabendo muito bem que estava cometendo crimes, é fake news; quando institutos de pesquisa manipulam resultados em campanhas eleitorais, depois desmentidos nas urnas, é fake news.

Todos os casos estão muito bem tipificados em sucessivas leis que inundam o Direito brasileiro. Lá já existem penalidades para crimes por injúria, calúnia e difamação. E falsidade ideológica. A internet é apenas um canal a mais, além da criança na escola, dos jornais e revistas, das autoridades mentirosas, das empresas impunes de pesquisa. Mas a vilã eleita é a velocidade da internet. Como diria um renomado comediante, uhauhauha…

O mais engraçado é que a mesa instalada no auditório do seminário estava ocupada por pessoas sérias, tratando o assunto como algo sério. Assunto, grife-se, resumido à injúria, calúnia e difamação por um meio instantâneo de difusão. A questão é que não foram as redes sociais que inventaram a mentira. Ela está no caráter das pessoas e podem ser reveladas oralmente, por meio de um bilhete, de um gesto, de uma pichação, de uma página de revista ou jornal, no dial do rádio, em um outdoor.

Temos que imaginar que seminários do gênero pretendem provocar true news, com repercussão positiva para os envolvidos, mas cujos resultados não passam também de fake news, no caso.

Se ainda não ficou claro, vamos entender melhor. Só regimes totalitários impedem a propagação de informações indesejadas nas redes sociais. Em democracias, devem prevalecer as leis existentes em qualquer situação: nas escolas, nas bancas de jornais, nas empresas de pesquisa que têm o aval oficial para mentir resultados, nas vizinhas fofoqueiras. Mas querem apenas a cereja do bolo, a estrela internet. Não terão.

Seminários têm custos pagos pelo contribuinte. A maior contribuição deixada neste último evento ficou a cargo da convidada francesa Hilde Haderman, ao afirmar que tentar controlar as redes sociais compromete a liberdade de expressão. Sergio Moro, ponderado, chamou a atenção para a dificuldade de qualificar o que é mentira e o que é opinião. Ambos estão certos, tão certos quanto a certeza de que perderam tempo em um proselitismo inútil.

Quando a Justiça Eleitoral, âncora do encontro pago pelos contribuintes, despreza as pesquisas mentirosas e até chancela seus resultados sem nenhuma punição aos erros de conveniência, entra em uma seara que não é dela – o Direito no caso é penal, não eleitoral – então estamos diante de mais uma iniciativa de algo muito consagrado em Brasília: o eventograma. É assim: alguém tem uma ideia lucrativa e sugere a pauta de reunir autoridades em Brasília – o que é fácil – para falar de qualquer coisa. No caso, a pauta foram as fake news.

A grande maioria da população não quer a votação eletrônica, melhor seria um seminário sobre isso. Ou um plebiscito. Alguém se atreve a promover? Onde estavam os brilhantes juristas na época das fake news do Colégio Base, de São Paulo, de Icushiro Shimada e sua família, inocentes, destruídos pelas manchetes da Rede Globo, Estadão, Folha de São Paulo e revista IstoÉ? Ninguém tem notícia de seminários promovidos para debater o absurdo. Absurdo maior é conviver com a hipocrisia.

Não há registro na ata do pomposo seminário de estudos sobre fake news em países como Finlândia, Japão, Austrália. O problema não é o veículo, é a origem, a educação. Do povo e de suas autoridades. Lamentável e patético é assistir à ópera bufa promovida pelo TSE. Jamais vão controlar as redes sociais, quando fracassaram em impor a Justiça social, como no caso dos Shimada. A menos que desejem um país bolivariano, sem redes sociais. Então, soltem o Lula. Novo erro, uhauhauha, ele não sabe teclar…

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