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Cultura

Nercessian ganha espaço na estante com ficção

Carolina Paiva, Edição

Atrizes e atores possuem, talvez, mais vidas em si do que qualquer um de nós. Transformam-se em instrumentos e levam vidas destinadas a abrigar experiências daqueles que, muitas das vezes, sequer existem – personagens são criações com origem em muitos seres, formados a partir de memórias, imagens e ideias. Uma amálgama humana, em que um homem comporta cem. É partindo dessa experiência de múltiplas vidas e vozes que Stepan Nercessian, premiado artista e ator brasileiro, conhecido por trabalhos para a televisão e cinema, se lança em outra forma de contar histórias: a narrativa de ficção.

Publicado pela editora Tordesilhas, Garimpo de almas é um livro de prosa experimental no qual a poesia, a memória e um olhar elegantemente desprendido do ego imperam, como o olhar que só se pode conferir à vida em nossos últimos dias. No romance, um homem é abalado pela dura imposição do tempo sobre sua estada no mundo, criando contraste entre o que foi e o que é. Nessa desilusão derradeira, Nercessian constrói um personagem real, que poderia ser qualquer um de nós.

Em sua carreira de anos como ator, Stepan Nercessian conquistou a maestria sobre seu ofício e o reconhecimento do público e da crítica, tendo recebido o Grande Prêmio do Cinema Brasileiro na categoria de Melhor Ator em 2019 por seu trabalho interpretando o personagem principal no longa de Andrucha Waddington, Chacrinha: O Velho Guerreiro (2018).

Agora, em Garimpo de almas, Nercessian leva a mesma maestria ao construir vidas para o texto, fazendo das palavras e da literatura sua nova ferramenta e campo de estudo para viver vidas para além de si.

“A mente do escritor Stepan Nercessian é, antes de tudo, uma mente brasileira de colonização carioca, capaz de rir do que lhe faz mal, como nossos melhores sambistas, chargistas e escritores. O movimento do nosso autor pode ter duas direções distintas, sempre com as mesmas consequências – ou ele parte de uma desgraceira danada para rir-se dela, ou começa rindo da realidade banal para depois elevá-la a tragédia,”, comenta, a propósito, Cacá Diegues.

“Devemos ser gratos aos que realizam nossos sonhos e gratíssimos aos que sonham por nós, que nos ensinam a sonhar.”

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