Votos e humildade
No Brasil, quem tenta levar a eleição no grito, só vai ganhar é dor de garganta
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No Brasil das diferenças sociais e políticas, das idiossincrasias e da superioridade de gênero, nada pior do que qualquer pleito parlamentar ou presidencial ser decidido no grito. Eleição não é sobre distribuir flores ou bombons para os adversários e/ou inimigos ideológicos. A sugestão é pelo respeito mútuo e, sobretudo, pela obrigação de aceitar eventuais derrotas como um aprendizado para disputas futuras. Até onde eu sei, só tenta ganhar no grito aquele que sabe que já perdeu na razão.
O jogo ainda está aberto para Luiz Inácio e Flávio Bolsonaro. Independentemente das tendências eleitorais momentâneas, tanto um quanto o outro têm amplas condições de se manter ou chegar ao Palácio do Planalto com os votos da maioria da população brasileira. Como diz o velho ditado, o tolo grita para provar que tem razão, enquanto o sábio se cala porque já entendeu. Ou seja, eleição se ganha no voto. No grito, apenas dor de garganta. Tomara que não seja o caso de um e de outro.
O mesmo conceito do silêncio deve ser aplicado ao certo e errado, bem como ao forte e ao fraco. O mundo é feito de escolhas. Basta um erro para se perder tudo que já havia sido conquistado. Consequentemente, Lula e Flávio, não se trata de certo ou errado. Apenas façam o que precisa ser feito e o que o eleitor teima em exigir de um candidato à Presidência da República. Quanto à força ou à fraqueza, jamais esqueçam que fraco não é quem perde, mas quem não tenta. As experiências sempre servem para o futuro.
Falhas, imperfeições, deslizes e insuficiências de caráter e administrativas são inerentes ao ser humano. Portanto, não podem ser avaliadas como condenação antecipada. Afinal, não há perfeição sem falhas. Erros são aprendizados necessários na construção da vida. O problema é não corrigi-los. Problema dobrado é acharmos que nossos defeitos são menores do que os do oponente. Não são. Por isso, vale sempre usar a autocrítica e não se deixar escorregar para a máxima do macaco que só olha para o rabo dos outros.
Ainda mais importante do que aparar arestas, consertar erros, se manter em silêncio e aceitar a derrota, é a humildade, o topo da inteligência e a mais perfeita e sólida de todas as virtudes. Está escrito nos mais simplórios dos almanaques que o legítimo, autêntico e genuíno sucesso exige coragem e humildade para reconhecer e resolver falhas, manter o foco no que precisa ser feito e assumir a responsabilidade sem buscar desculpas. Como afirmam os pensadores, essa é a verdadeira mente do campeão.
Como a humildade é o único sapato que serve em todos os pés, o entorno de Luiz Inácio Lula da Silva de Flávio Bolsonaro precisa informar e ser informado que sucesso com humildade gera admiração. Para o arrogante sobra apenas a indignação do povo. Humildade é a certeza de que a gente nunca sabe tudo e sempre pode aprender e crescer. Por fim, não há como apostar no voto livre e soberano sem defender a democracia, sistema de governo em que todos têm direito, mas ninguém tem o direito de oprimir. Torcendo pela perenidade democrática do Brasil, que vença o melhor no dia 4 de outubro.
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Mathuzalém Júnior é jornalista profissional desde 1978