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Capacidade criativa

No cenário político, o mais inteligente é ser burro

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Autor/Imagem:
Arimathéia Martins - Foto de Arquivo

Uma coisa é discutir política, outra coisa é aguentar um politiqueiro falando de politicagem. Discutir política é para quem entende o mínimo do assunto. Como só sei o mínimo, não debato com aqueles que defendem o partidarismo político. É o mesmo que exigir que os chimpanzés usem os polegares ou que elefantes limpem os ouvidos com as patas direita ou esquerda. Resumindo, na política brasileira dos tempos modernos o mais inteligente é ser burro. É o que tenho feito na rua, no futebol e na família.

Aliás, debater política hoje em dia com familiares é sinônimo de discutir partilha de bens. Uns sairão chamuscados, outros com queimaduras de segundo e terceiro graus e todos de mal. Por isso, faz tempo que assumi como minha uma das brilhantes frases sobre o tema: Brigar por política no atual cenário de polarização é o mesmo que ter uma crise de ciúme na zona. Deus me livre de brigar por pessoas que não me conhecem e nunca brigaram por mim.

Não brigo, mas adoro usar os políticos e seus fanáticos idólatras como mote para minhas narrativas. A bola da vez não poderia ser outro. Ex-delegado da Polícia Federal e um dos homens de ouro da gestão de Jair Bolsonaro, Alexandre Ramagem foi preso e está sob custódia do Serviço de Imigração e Alfândega (ICE) dos Estados Unidos. Na imagem divulgada pelo governo dos EUA nessa terça-feira (14), Ramagem nem de longe lembra o poderoso ex-diretor da Agência Brasileira de Inteligência (Abin).

Enquanto os “patriotas” certamente lamentam o ocorrido, os não patriotas provavelmente vêm usando a prisão para espezinhar os que choram. Entre os menos radicais, é mais fácil encontrar os mais galhofeiros e jocosos. É o caso de um cidadão que utilizou as páginas de um jornal brasiliense para brincar com o órgão que prendeu o fugitivo brasileiro. “Alexandre Ramagem: ICE eu te pego, ICE eu te pego”. Triste, mas realmente engraçado. Infelizmente, aqui se faz, aqui se paga. Eu não tenho essa capacidade criativa.

Por isso, normalmente me baseio em fatos para contar minhas histórias. Ou seriam estórias? Tanto faz quando o mote são os políticos. Lembro do dia em que, procurando um desses best seller de autoajuda em uma das boas casas do ramo, ouvi uma voz feminina indagando o balconista sobre um tal livro intitulado “A Honestidade na Política”. Não sei se séria ou de brincadeira, mas a resposta me fez rir e refletir a respeito da importância de nossos homens públicos: “Temos, sim senhora. Ele está na seção de contos de fadas e de ficção científica”.

Enquanto escrevo, imagino Alexandre Ramagem sem ter o que responder diante das autoridades da imigração norte-americana. Sinceramente, sem o apoio de Donald Trump, o que teria ele a dizer. Talvez fi-lo porque qui-lo ou só sei que nada sei. Mais uma vez não há como não associar a situação do ex-delegado com um de nossos políticos. No confessionário, diante do padre, a excelência pede um aparte e informa ao sacerdote que só confessaria seus pecados diante de um advogado. Ou seja, no confessionário, na tribuna ou nos palanques, políticos são iguais àquilo que boia, mas não afunda. Tirem suas conclusões.

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