Curta nossa página


SILÊNCIO ETERNO

NO FIM DO RUÍDO, SOMENTE O CÉU

Publicado

Autor/Imagem:
Renan Damázio - Francisco Filippino

O CÉU

Há dias em que a dor se aprende a respirar.
Em que o mundo parece disposto a esmagar.
Onde a carne, faminta, começa a provar,
Do próprio desespero que insiste em ficar.

Há sombras que ferem o início do ser.
Inocências quebradas sem chance de erguer.
Há lares vazios, ausências a doer,
Abandono que ensina o amor a morrer.

Traições vêm vestidas de doce ilusão,
Com promessas que escondem punhais na intenção.
Febre dos corpos, sem freio ou razão,
Consome o que resta de luz no coração.

Há Homens que vendem a própria moral.
Vozes que calam diante do mal.
Há fome que excede o sentido animal,
E devora o que é puro, profundo e essencial.

Tudo que passa não volta jamais.
São rastros levados por ventos banais.
Depois que se parte, não há mais sinais,
Nem espaço, nem nome, nem ecos iguais.

Se a vida se esvai no que não se sustém.
Se o pouco que somos não fica também.
Se o mundo é um ciclo que fere,
E não vem trazer algum sentido que dure além.

Então que o descanso me venha em véu,
Que cesse o ruído e que finde o tropel.
Tudo que sonho, no fundo mais meu,
É apenas o céu.
Somente o céu.

……………

Renan Damázio, carioca, é advogado, professor e poeta, autor do livro “Emoções e Reflexões”.

 

Publicidade
Publicidade

Copyright ® 1999-2026 Notibras. Nosso conteúdo jornalístico é complementado pelos serviços da Agência Brasil, Agência Brasília, Agência Distrital, Agência UnB, assessorias de imprensa e colaboradores independentes.