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Discípulo do caos

No pega pra capar, melhor é lavar os pés do sapo

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Autor/Imagem:
Mathuzalém Júnior - Foto de Arquivo

Nem sempre concordo com as frases, os bordões, os anúncios ou as colocações do presidente Lula. Entretanto, não há como discordar quando ele diz que o Brasil de hoje está infinitamente melhor do que aquele que ele recebeu do governante anterior. E põe infinitamente nisso. Com todas as vênias administrativas, políticas e golpistas, não há termo de comparação entre o país da matança durante a Covid e a nação que cada dia mais se livra da bipolaridade do titio Donald Trump, o senhor das catástrofes e hoje terror dos norte-americanos, inclusive dos que o elegeram.

Em sã consciência, normalmente não falo de pessoas, mas de instituições ou de figuras representativas. Como hoje eu acordei fora do prumo, culpo o inconsciente por eventuais inconvenientes. O que não posso deixar passar são as escolhas do clã Bolsonaro, principalmente do mais novo discípulo do caos. Tento, tento, mas não consigo uma explicação capaz de justificar a idolatria de toda a família em relação ao amarelão que supostamente preside pela segunda vez os Estados Unidos. Pode até presidir, mas não governa. Na verdade, não sabe governar.

Governar é uma palavra que não faz parte do dicionário de Trump, da mesma forma que nunca fez da cartilha de Jair Messias. É sempre assim. Coisa ruim costuma herdar coisas ruins de quem não é bom. Parece piada, mas ambos se parecem até na dificuldade de completar uma frase positiva para seus comandados. Na verdade, para seu eleitorado. Assim como Bolsonaro que, no auge da letalidade da Covid, jurou que não era coveiro, Trump, em vez de engolir a língua, fala mais do mesmo e diz que guerra ao Irã está “perto do fim”.

Os patriotas de lá e de cá quase urraram de prazer. Provavelmente, alguns gozaram litros de petróleo bruto. Os mais lúcidos, porém, sabem que as retumbantes declarações do líder norte-americano são as mesmas desde os primeiros dias de batalha no Oriente Médio, há mais de um mês. Típico de quem não tem o que o que dizer. No caso específico, parece o equilíbrio entre arroubos vitoriosos e a necessidade de se explicar a seu povo. Explicações não fazem parte desse tipo de pessoa. Aliás, nada que não seja vitória ou elogios lhe caem bem.

Assim como os brasileiros perceberam logo nos primeiros dias do governo Bolsonaro, os americanos já descobriram que o pior ainda está por vir. Tomara que não seja chumbo grosso, que, guardadas as proporções, o Irã não seja um novo Vietnã. Não à toa, a desaprovação de Trump atingiu recordes históricos. Conforme dados de pesquisas realizadas neste mês de abril, o mandatário tem 66% de desaprovação, o maior nível de rejeição em seus mandatos, frequentemente associados a conflitos internacionais, gestão econômica e preocupações com seu estilo de liderança. Os números mais negativos indicam que Donald Trump é pouco confiável.

Mais desastroso são os 70% que não o consideram honesto. Em outras palavras, abunda no presidente dos Estados Unidos o que sobrava em Jair Bolsonaro: falta de tato, de tino e de valores para ostentar o título de presidente de repúblicas como as dos EUA e a do Brasil. Como dizia o Marquês de Maricá, a credulidade e a confiança de muitos tolos faz o triunfo de uns poucos enganadores. Interessante, mas, a exemplo de Trump, que acha que o mundo inteiro gira a seu redor e, saindo disso, tudo está errado, a família Bolsonaro vive ocupada em descobrir os defeitos de Luiz Inácio, mas, fingindo ingenuidade, esquece de investigar os próprios. Sempre como apoio do gado. Esses estarão juntos enquanto durar o farelo.

Nada de anormal para um clã que apresenta como salvador da pátria um candidato que sequer tem postura de quem ser presidente da República. Eleito na sombra fóssil e inorgânica do pai, o representante da extrema-direita passa boa parte do seu tempo falando besteira ou fazendo dancinha boba, não apresenta uma proposta de governo, não fala de planos de trabalho, desconhece a responsabilidade que é governar um país continental como o Brasil, brinca de entender de relações internacionais e caga para a soberania nacional. É o arremedo de Trump que querem ver no Palácio do Planalto? Prefiro lavar os pés do sapo. Pelo menos esse nunca se apresentou como Judas.

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Mathuzalém Júnior é jornalista profissional desde 1978

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