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Cultura

Nostalgia e melancolia no fim de Orange Is The New Black

Carolina Paiva, Edição

Cenas nostálgicas e melancólicas são as principais marcas da sétima e última temporada de Orange Is The New Black, Suzanne (Uzo Aduba) e Pennastucky (Taryn Manning) conversam sobre Taystee (Danielle Brooks), colega de prisão injustamente condenada por atirar em um guarda. “Ela era muito engraçada, vivia com um sorriso no rosto, tinha sapatos de dança. Só cantava muito, mas não canta mais”, diz Suzanne, enquanto olha para a antiga amiga.

Em outra cena, a antes ativa cozinheira Red (Kate Mulgrew) aparece deitada em uma cama na solitária, enquanto sua antiga inimiga Gloria Mendoza (Selenis Leyva) tenta animá-la, sem sucesso. A protagonista Piper limpa moscas da janela de um restaurante, onde agora trabalha.

É nesse tom de melancolia que Orange Is The New Black conduz o seu ‘começo do fim’ – nome dado ao primeiro episódio da 7ª temporada, que foi ao ar na sexta-feira, 26. A trama se adensa, com críticas ao sistema de justiça americano e à deportação de imigrantes, enquanto as personagens parecem se conformar com a própria impotência.

A 7ª temporada marca o fim de uma era da Netflix. Quando OITNB, como é conhecida pelos fãs, estreou em julho de 2013, as plataformas de streaming ainda davam passos tímidos. A Netflix havia acabado de lançar sua primeira produção original, House of Cards, e a HBO GO não completava 5 anos. A oferta de séries era muito menor, e diversidade (de gênero, raça e orientação sexual) nas produções ainda era rara.

Foi apostando em uma fórmula ousada que Orange Is The New Black se destacou. Criada por Jenji Kohan (Weeds), a produção usa como ponto de partida a história de Piper Chapman, uma mulher branca, de classe média, na casa dos 30 que, às vésperas do casamento, é presa por um crime cometido há 10 anos atrás, em parceria com uma antiga namorada. Na prisão, Piper conhece aos poucos as histórias de outras mulheres, enquanto eventualmente deixa de ser a protagonista da série.

Em entrevistas, Jenji chamou Piper de seu ‘cavalo de tróia’ – “você não consegue entrar em um canal e vender um programa de contos realmente fascinantes de mulheres negras, latinas, idosas e criminosas. Mas se você pegar essa garota branca, esse tipo de peixe fora d´água e a seguir, então você pode expandir seu mundo e contar todas essas outras histórias”, disse em 2013 à rádio pública americana NPR.

Foi o que a diretora fez, apostando em protagonistas múltiplas: são mulheres brancas, negras, latinas, transexuais, lésbicas, ‘loucas’, que mereciam ou não estar na prisão. E, apesar da temática, Orange Is The New Black surgiu como uma série de humor. A produção acabou se tornando uma das maiores expoentes do gênero ‘dramédia’, em que drama e comédia se encontram.

O formato agradou –além de se tornar a série de maior duração da Netflix, Orange Is The New Black também conquistou o título de produção original mais vista na plataforma: 105 milhões de pessoas assistiram a pelo menos um capítulo da série. Em 2014, a série recebeu 19 indicações ao Emmy e levou quatro para casa.

Em material enviado ao Estado pela assessoria da Netflix, Jenji afirma que espera deixar como legado da série a empatia. “É muito fácil ignorar um grupo inteiro de pessoas – isto é, até que você as conheça”, diz. “ Esperamos que, com nossos personagens em OITNB, possamos dizer: elas não são criminosas sem rosto na prisão, mas sim pessoas que você passou a amar”.
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