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Brasil

Nova mensagem indica que Bolsonaro mentiu

Mário Camargo

‘Mentiroso’. Isso é o mínimo que pode ser dito do presidente Jair Bolsonaro no episódio da saída de Alexandre Valeixo do comando da Polícia Federal, segundo interpretação de uma autoridade do Judiciário, ao comentar novas mensagens trocadas entre o presidente da República e o ex-ministro Sérgio Moro no episódio da saída de Alexandre Valeixo da Polícia Federal.

Na realidade, não houve pedido de demissão. Tirar o diretor-geral da PF era questão de honra para o presidente. E Bolsonaro deixou isso claro ao ex-ministro Sérgio Moro, em mensagem no aplicativo WhatsApp horas antes da reunião ministerial do dia 22 de abril.

O dia estava amanhecendo em Brasília naquela data quando Sérgio Moro foi acordado por sons insistentes emitidos por seu celular. Precisamente às 6h26 chegou a primeira mensagem do presidente: “Moro, Valeixo sai esta semana”, escreveu Bolsonaro. E acrescentou: “Está decidido”. Ele encerrou a conversa com a seguinte frase: “Você pode dizer apenas a forma. A pedido ou ex oficio (sic)”.

As revelações foram feitas na edição virtual do jornal O Estado de S.Paulo, no início da noite deste sábado, 23. Segundo o Estadão, a troca de mensagens é parte do inquérito do Supremo Tribunal Federal que investiga a ingerência política de Jair Bolsonaro na Polícia Federal. O episódio provocou a demissão não só de Valeixo, como do próprio Sérgio Moro.

Segundo prints das conversas, o ex-ministro da Justiça, então ainda no cargo, respondeu a Bolsonaro 11 minutos após receber as mensagens. “Presidente, sobre esse assunto precisamos conversar pessoalmente. Estou ah disposição para tanto”, disse o ex-juiz da Lava Jato. A reportagem deixa claro que a decisão do presidente de mudar o comando da PF já tinha sido tomada horas antes da reunião ministerial ocorrida naquele mesmo 22 de abril.

A troca de mensagens foi retirada do celular do ex-ministro Sérgio Moro. O aparelho foi entregue por ele na ocasião do seu depoimento nesse inquérito. Procurado, o Palácio do Planalto não havia se manifestado atá a edição desta matéria.

A conversa, lembra o Estadão, contraria duas versões que Bolsonaro tem dado em sua defesa e ajuda a explicar a posição de Moro na reunião ministerial, quando foi constrangido pelo presidente a fazer mudanças na corporação. A mensagem é enfática, ainda, ao comprovar que Bolsonaro já havia decidido pela demissão de Valeixo de forma unilateral e sugere, quando Bolsonaro não lhe deixa alternativas, que a relação de confiança com o seu então ministro da Justiça havia sido quebrada.

Bolsonaro tem sustentado em entrevistas e postagens nas redes sociais que foi Valeixo quem pediu para ser demitido, alegando cansaço. Segundo o presidente, isso mostra que não houve interferência da parte dele. Na sexta-feira, 22 – exato um mês após a reunião ministerial – após a divulgação do vídeo do encontro, Bolsonaro novamente repetiu que foi o próprio diretor-geral da PF quem quis deixar o cargo.

“O senhor Valeixo de há muito vinha falando que queria sair. Na véspera da coletiva do senhor Sérgio Moro, dia 24, o senhor Valeixo fez uma videoconferência com os 27 superintendentes do Brasil, onde disse que iria sair. Eu liguei pro senhor Valeixo, o qual respeito, na quinta-feira, à noite. Primeiro ele ligou pra mim. Depois eu retornei a ligação pra ele. ‘Valeixo, tudo bem?. Sai amanhã? Ex-officio ou a pedido?’. A pedido (foi a resposta de Valeixo, segundo Bolsonaro). E assim foi publicado no DOU. Lamento ter constado o nome do ministro da Justiça ali. É porque é praxe”, disse Bolsonaro..

Em depoimento no inquérito, no dia 11 de maio, lembra o Estadão, Valeixo contou que jamais formalizou um pedido de demissão. De acordo com ele, um dia antes da publicação no Diário Oficial da União, recebeu um telefonema do próprio presidente questionado se ele concordava que sua exoneração saísse a pedido. Sem alternativa, o ex-diretor concordou. Valeixo relatou ainda que Bolsonaro justificou que queria alguém no cargo com quem tivesse “afinidade”.

Próximo da família Bolsonaro, o delegado Alexandre Ramagem, atual chefe da Agência Brasileira de Inteligência (Abin), foi nomeado para o comando da PF. Não pode, porém, tomar posse por uma decisão do ministro do STF, Alexadre de Moraes. Com isso, a direção-geral da instituição foi entregue ao delegado Rolando Alexandre de Souza, considerado um braço-direito de Ramagem.

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