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Onde o riacho faz cantiga

O amor do mato

Publicado

Autor/Imagem:
Luzia Couto - Foto Francisco Filipino

No meio do mato verde
onde o riacho faz cantiga,
conheci uma morena
de trança preta e fisionomia amiga.

Ela vinha buscar água
com balde na cabeça erguido,
eu pastoreava o gado
e o coração ficou perdido.

“Ô moça, me dá licença
de te ajudar com o peso?”,
ela riu com dente branco:
“Se não sujar a roupa, eu aceito”.

De tarde na beira do brejo
debaixo de ingazeira antiga,
conversamos de prosa fiada
e o peito virou fogueira viva.

Eu trouxe um tererê amargo
ela trouxe pão de milho quente,
comemos juntos sentados
no toco que o tempo não mente.

À noite na porta da casa
com viola de arame e catira,
cantei modão pra ela
que falava de amor na lida.

“Se eu te dou meu coraçãozinho
você cuida dele direitinho?
Porque ele é roceiro manso
não gosta de cidade nem luxo”.

Ela respondeu baixinho
com voz de sabiá no ninho:
“Te dou o meu também, caboclo,
pra gente plantar junto o destino”.

Casamo na capelinha velha
com benzedeira e fogueira acesa,
o padre era o compadre Zé
e a testemunha foi a lua cheia.

Hoje a gente vive na roça
com galinha, cachorro e criação,
quando o sol se põe no morro
a gente faz nosso ninho de paixão.

Deito no colo dela
e ela deita no meu braço,
o amor caipira do mato
é fogueira que nunca apaga o laço.

E assim segue a vida nossa
no compasso da viola afinada,
dois corações de roceiro
que o destino juntou na estrada.

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