Jogo duro
Flávio quer voto do centro para evitar ser atropelado por Lula
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A divulgação da mais recente pesquisa Datafolha acendeu um alerta vermelho no entorno de Flávio Bolsonaro. Os números são inequívocos: Lula vence entre os eleitores de centro tanto no primeiro turno (31% a 17%) quanto no segundo (41% a 32%). Historicamente no Brasil o centro costuma decidir eleições, logo, esse recorte é praticamente um termômetro do que pode vir pela frente. Não surpreende, portanto, o clima de inquietação dentro do PL, que vê ruir uma das principais apostas para viabilizar eleitoralmente o nome de Flávio.
A tentativa de reposicionamento de Flávio Bolsonaro como uma figura mais moderada, menos ideológica e até discretamente desvinculada do peso do sobrenome que carrega, não parece estar surtindo efeito. Ao contrário: pode estar gerando desconfiança. O eleitor de centro, sensível a coerência e autenticidade, tende a perceber quando há um descompasso entre discurso e trajetória. E, nesse caso, não basta suavizar o tom ou evitar associações explícitas, há um histórico político, familiar e ideológico que não se apaga com estratégia de marketing.
Embora a pesquisa não apresente todos os cenários possíveis, ela cumpre um papel fundamental: revelar tendências. E a tendência, ao menos por ora, é de que o eleitorado de centro não comprou a nova embalagem. Isso coloca o PL diante de um dilema clássico: insistir na tentativa de rebranding de Flávio ou admitir que há limites para reinventar uma identidade política já consolidada. Em política, às vezes o problema não é a mensagem, é o mensageiro.