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Papo-furado

O deputado Sóstenes Cavalcante, do PL, não convence ninguém

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@donairene13 - Foto de Arquivo

No fim do ano passado, a Polícia Federal cumpriu mandado de busca e apreensão na casa do pastor e deputado Sóstenes Cavalcante, do Partido Liberal, no bojo de uma operação que investigava o desvio de verbas das cotas parlamentares. Durante a ação, foram encontrados nada menos que R$ 470 mil em dinheiro vivo na casa de Sóstenes.

Desde então, o deputado tem demonstrado dificuldade para explicar a origem dessa quantia. As versões não convencem, tropeçam em datas, em documentos e no mais básico senso de coerência. Agora, mais recentemente, ele apresentou uma escritura de venda de um imóvel em Ituiutaba, numa tentativa tardia de justificar o dinheiro encontrado.

O problema é que o ato foi lavrado 11 dias depois de a Polícia Federal ter apreendido o montante. A cronologia não fecha, a explicação soa improvisada, e o esforço para dar aparência de legalidade a algo que claramente não se sustenta só agrava a situação.

É difícil acreditar que esse tipo de papo-furado vá enganar a Justiça. Instituições não costumam ser sensíveis a versões montadas às pressas, especialmente quando os fatos falam por si. Mas, infelizmente, não dá para descartar a possibilidade de que parte do eleitorado aceite essa narrativa frágil, talvez por conveniência, talvez por fé cega.

E é isso que mais preocupa: não apenas o caso em si, mas a naturalização da desfaçatez, a tentativa reiterada de tratar a sociedade como ingênua. Porque, no fim das contas, não é só a Justiça que está sendo testada aqui. É também a nossa capacidade coletiva de discernir entre explicação e desculpa, entre fato e encenação.

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