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Controle

O direito de ser, simplesmente…

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Autor/Imagem:
Tania Miranda - Foto Francisco Filipino

Vivemos em um mundo onde somos controladas minuto a minuto. Mas quem faz esse controle sobre nós? Quando analisamos essa pergunta e percebemos a resposta, normalmente preferimos ignorá-la. Porque ela é simplesmente inconcebível. Sim, por mais que pensemos sobre esse assunto, menos ele faz sentido…

A Sociedade, no geral, gosta de manter várias caixas sobre o balcão. E cada caixa é devidamente etiquetada. Emoções, modo de viver, formas de encarar os acontecimentos… tudo, absolutamente tudo sobre nossa vida é controlado, etiquetado, carimbado…

Temos a ilusão de viver nossa vida em particular. Pensamos ter o controle sobre nossas ações. Mas esse controle simplesmente não existe. Estamos sujeitas ao escrutínio constante de nossos pares. Antes de agradarmos a nós mesmas, temos que prestar contas de todos nossos atos… e estamos sendo julgadas por cada passo que avançamos em nossa jornada…

Somos avaliadas a todo instante. Como nos vestimos, como nos portamos. Mais do que ser, o mais importante é parecer. Podemos até agir de forma errônea. Se ninguém ficar sabendo de nossas falhas, tudo bem… não falhamos. Porque, na realidade, vivemos em uma Sociedade da Imagem. Se esta corresponder àquilo que de você é esperado, tudo bem. Nada lhe será cobrado…

Esse controle se inicia em nosso nascimento… desde nosso primeiro vagido, até o momento em que somos encerradas dentro de um esquife, tudo aquilo que fazemos ou deixamos de fazer é devidamente fiscalizado pelos vários grupos dos quais participamos em nossa vida. E mesmo depois que cerramos nossos olhos, o julgamento continua. Se você for uma figura pública esse julgamento pode continuar por décadas… ou milênios…

Viver em Sociedade não é para amadores. Embora apenas amadores acabem por encarar viver em Sociedade. Porque as cobranças sobre cada indivíduo são pesadas. Tudo, absolutamente tudo em sua vida é avaliado. Essa é a realidade em que vivemos… não temos liberdade para tomar nenhum tipo de decisão, não podemos ter atitudes que contrariem o senso comum, que venham de encontro ao Status Quo do grupo…

Qualquer ação de sua parte que não corresponda ao esperado será recompensada com atitudes belicosas da massa à qual pertence. Porque você não tem o direito de agir de forma não sancionada pelo grupo. Você tem uma imagem formada por este e deve agir de forma correspondente ao esperado. Qualquer desvio de sua parte pode ter consequências gravíssimas, subvertendo a “ordem natural” da vida…

Por que você acha que somos monitorados vinte e quatro horas por dia? Para que continuemos nossa jornada de acordo com o manual de instruções que nos foi entregue quando aqui chegamos… ah, desculpe… não recebemos manual algum…

As regras que seguimos, essas foram definidas a muito tempo… e desde então as seguimos sem questionar. Claro que cada comunidade adapta seu controle de acordo com a realidade em que vive, mas no geral o que conta, realmente, é a obediência cega às instruções recebidas. Pois elas têm força de Lei, mesmo que não estejam gravadas em nenhum tipo de suporte…

E é nesse contexto que as caixas de controle são usadas. Cada subversão à “ordem natural” da Sociedade gera uma nova etiqueta. E o indivíduo que é rotulado com tal deferência será olhado de soslaio, e as pessoas ao seu redor a evitarão em um primeiro momento. Dependendo da linha de pensamento desse grupo, o sujeito será isolado para que não “contamine” o modo de viver dos outros integrantes do núcleo social em questão…

E como esse controle se dá? Teoricamente, através de associações cujas regras devem ser respeitadas. Mas a teoria na prática é outra. O que faz com que as regras sejam obedecidas cegamente são os conceitos e preconceitos impingidos aos indivíduos desde o berço. Não é uma lavagem cerebral porque o processo se inicia com a lousa em branco. Resumindo… todos nós somos controlados por… nós mesmos. Porque o direito de ser quem você realmente é simplesmente não existe…

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