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Eles pastam

O gado e a besta

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Autor/Imagem:
Cadu Matos - Foto Francisco Filipino

Em um grupo de poesia de que participo (pois é, pago desses micos), deparei-me com um poema de um bolsomínion. Era ruim, cheio de erros de concordância, dizia que “o hino Nacional é canção a assombrar os togados”, barbaridades desse jaez. Fiz um comentário de protesto contra o poema político, e falei que, se os administradores não o eliminassem, eu daria o troco. Mantiveram o poema bovino e eliminaram meu comentário. Então postei o seguinte. E saí do grupo.

O gado pasta mugindo mito, mito

Enquanto as pessoas vão morrendo.

E as pobres reses seguem sendo

Menos que humanas. Mas por sorte

São menos numerosas a cada dia.

Gado de pasto, de leite ou de corte

Cortejando uma besta que desconfia

Não estar agradando. E escoceia,

Furiosa, em seu canto de sereia

Ao notar que seu apoio escorre

E seduz cada vez menos gente.

Porque gente vê, gente pensa, gente sente

E gado não. Gado pasta, muge e morre.

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