Chuva e cerração
O manto da floresta
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A tarde se curva sob o peso das nuvens,
o céu se desfaz em rios suspensos,
cada gota é um suspiro da eternidade,
caindo lenta, persistente, sobre a pele da terra.
A cerração desce como véu de noiva,
tecendo mistério entre troncos e raízes,
ocultando caminhos, dissolvendo horizontes,
até que o mundo se torne apenas sopro e silêncio.
O canto dos pássaros se recolhe,
o som da chuva é o único cântico,
um tambor suave que embala a mata,
ritmo ancestral que desperta memórias.
E a floresta, vestida de névoa,
parece guardar segredos antigos,
como se cada árvore fosse guardiã
de histórias que só a chuva sabe contar.
No coração da cerração,
há um convite à contemplação:
o tempo se dilui, o olhar se perde,
e o espírito se encontra no invisível.
Assim, a tarde chuvosa não é apenas passagem,
é rito, é pausa, é revelação.
É o instante em que a natureza se casa consigo mesma,
sob o véu translúcido da cerração.