Capa preta
O maridão só pensava no trabalho…
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Ana Maria, de 22 anos, era casada com Carlito, de 33. O maridão só pensava em trabalho, tinha uma pequena pousada no Recife.
Não tinha hora pra chegar em casa. Aninha reclamava, e ele sempre respondia:
– Deixa de ser ingrata, mulher, é isso que compra suas roupas, a comida que você come. Enquanto o pessoal viaja, eu pago as contas.
Ela passou a ler pra distrair a carência, diminuir a solidão. Ao passar por uma venda de livros usados, encontrou um volume que conhecia de nome.
Crescera ouvindo falar no livro de São Cipriano, que os demônios pegaram pra si.
O livro a assustava, mas também a fascinava. A curiosidade foi maior. Comprou-o.
Chegou em casa, benzeu-se e iniciou a leitura. Em pouco tempo ficou presa no texto, leu e releu o livro de capa preta.
Aos poucos, na ausência do marido, foi incorporando a magia contida naquelas páginas e desenvolveu um ritual próprio. Acendia velas negras, ficava nua e lia as passagens em voz alta. Depois deitava-se despida, e imaginava que do livro materializava-se um homem envolto em uma capa preta, tão negra quanto a do livro. Passou a visualizá-lo de maneira cada vez mais nítida. Ele a beijava com carinho, fazia gato e sapato de seu corpo – coisas que o marido não encarava, tinha nojo e achava que era coisa de mulher da vida. Ela gozava até perder momentaneamente os sentidos.
Carlito chegava de madrugada e lá estava a esposa lendo. Ele chegava cansado, olhava ela lendo, virava pro lado e dormia. Enquanto isso, Aninha tinha orgasmos múltiplos com o homem da capa preta.
Passou a esconder o livro embaixo do travesseiro. O maridão ficou livre pra enriquecer, sem perceber que, a cada centavo ganho, à medida que seu dinheiro crescia, seus chifres também cresciam.