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Vestido de chita

O peão que perdeu o laço

Publicado

Autor/Imagem:
Luiza Couto - Foto Francisco Filipino

Eu sou peão de carreira,
domo touro, corto cerca,
mas desde que vi a moça
meu laço virou trapo velho.

Ela passou na porteira
com vestido de chita flor,
o chapéu de palha torto
e um sorriso que me furou.

Meu cavalo relinchou baixo,
como se soubesse o tormento,
eu tirei o chapéu devagar
e o coração pulou violento.

De noite na lua cheia
peguei a viola afinada,
cantei modão de saudade
pra ver se ela escutava.

“Ô morena de trança solta,
vem cá pro meu lado direito,
que eu troco o couro do arreio
pelo teu beijo perfeito”.

Ela ouviu da janela aberta,
deu risadinha escondida,
mandou um “vem cá, peão bobo”
e meu mundo virou vida.

Cheguei montado no tordilho,
com flor do campo na mão,
ela desceu devagarinho
e subiu na garupa então.

Galopamos pela estrada
de terra vermelha e poeira,
o vento batendo no rosto
e o amor crescendo na veia.

Hoje eu ainda laço boi,
mas o laço mais forte eu tenho
é o que me prende no peito
ao colo dela, sereno e pequeno.

Quando o sol cai no morro
e a viola chora baixinho,
eu digo pra ela: “Minha sina
é ser teu peão até o finzinho”.

E ela responde sorrindo,
com voz de sabiá no mato:
“Então laça bem apertado,
que eu não fujo do teu trato!”

E assim vive o peão apaixonado,
entre o couro e a paixão verdadeira,
domando o mundo na lida
mas rendido àquela morena inteira.

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