Dr. Leo
O pequeno “Cão Leão” que conquistou imperadores e sobreviveu à história
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Considerado uma das raças mais antigas do mundo, o Pequinês carrega consigo uma mística que mistura lendas e nobreza. Segundo a tradição chinesa, o animal seria o resultado de um amor impossível entre um leão e uma macaca, onde o rei das selvas sacrificou seu tamanho por amor, mantendo a bravura. Na realidade, a raça existe há mais de 4.000 anos e foi, por séculos, um animal sagrado e exclusivo da realeza na Cidade Proibida, onde o contrabando desses cães era punido com a morte.
A trajetória da raça no Ocidente começou de forma dramática em 1860, durante a invasão do Palácio Imperial por tropas britânicas. Apenas cinco animais sobreviveram ao massacre promovido pela própria realeza chinesa, que preferia sacrificar os cães a vê-los em mãos estrangeiras. Curiosamente, além de sua sobrevivência em guerras, há registros de que um exemplar da raça esteve entre os poucos animais que sobreviveram ao naufrágio do Titanic em 1912, reforçando sua fama de pequeno guerreiro.
Com um peso que varia entre 3 kg e 6 kg, o Pequinês é um cão de porte pequeno, mas de personalidade forte. Descrito como altivo e independente, ele ocupa a posição 73 no ranking de inteligência de Stanley Coren, o que indica que ele pode ignorar comandos por pura teimosia, representando um desafio para donos iniciantes. Apesar disso, é um excelente cão de alarme e um companheiro leal e afetuoso com a família, embora costume ser reservado com estranhos.
Visualmente, o “cão de manga” — apelido que recebeu por ser carregado nas vestes dos nobres chineses — destaca-se pela pelagem densa que forma uma “juba” ao redor do rosto. Suas cores variam entre dourado, cinza, preto e bicolores. Por ser um cão braquicefálico (de focinho achatado), ele se adapta bem a ambientes pequenos e não exige exercícios físicos intensos, mas requer cuidados específicos com a respiração e com a higiene das “ruguinhas” do rosto para evitar fungos.
A saúde da raça exige atenção dedicada dos tutores. Seus olhos saltados são charmosos, mas vulneráveis a acidentes e infecções, exigindo limpeza diária. Além disso, a raça tem predisposição a problemas de coluna, como hérnia de disco, e luxação de patela. A escovação dos pelos deve ser frequente, pelo menos dia sim, dia não, para evitar nós que se formam facilmente devido à densidade da pelagem e ao contato direto com o chão.
Embora já tenha sido uma das raças mais populares no Brasil em décadas passadas, o Pequinês perdeu espaço recentemente para “primos” como o Shih Tzu e o Lhasa Apso. No entanto, para quem busca um guardião corajoso, compacto e com uma história milenar, o Pequinês continua sendo uma escolha única. Com os cuidados certos e muito carinho, esse pequeno leão de Pequim prova que tamanho não é documento quando o assunto é proteção e lealdade à família.
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