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A arte de não dizer nada

O plano infalível de Braide para agradar ninguém

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@donairene13 - Foto Arquivo

A política é feita de escolhas e escolhas exigem posicionamento. Quando um nome como Eduardo Braide, apontado como um dos mais populares na disputa pelo governo do Maranhão, opta por não dizer se pedirá votos para Lula ou para Flávio Bolsonaro, o que se vê não é estratégia refinada, mas hesitação. Ficar “em cima do muro” pode até parecer confortável no curto prazo, mas cobra um preço alto em termos de credibilidade. O eleitor não espera neutralidade de quem deseja governar. Espera clareza.

Essa tentativa de agradar a todos, evitando desagradar qualquer grupo, acaba produzindo o efeito oposto. No Maranhão, onde o eleitorado tende majoritariamente a Lula, o silêncio não soa como prudência, mas como cálculo político excessivo. E cálculo demais, em política, costuma ser interpretado como falta de coragem. Ao não se posicionar, Braide deixa espaço para interpretações e uma delas é justamente a de que evita declarar apoio a Flávio Bolsonaro apenas para não perder votos, não por convicção.

A ausência de posição também é uma posição. E, nesse caso, transmite uma mensagem ambígua. Liderança política exige mais do que popularidade: exige firmeza, coerência e disposição para assumir riscos. O eleitor pode até perdoar uma escolha com a qual não concorda, mas dificilmente confia em quem se recusa a fazer uma.

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