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Entre ordens e vaidade

O racha bolsonarista que paralisa a direita paulista

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@donairene13 - Foto de Arquivo

A direita brasileira sempre vendeu a imagem de unidade em torno de um projeto comum. Mas, na prática, o que se vê é uma sucessão de disputas internas movidas por vaidade, imposição e tentativa permanente de controle absoluto. O embate entre Eduardo Bolsonaro e Ricardo Salles expõe exatamente isso. Eduardo praticamente decretou que Salles deveria abrir mão da candidatura ao Senado para evitar um “racha” e impedir que a esquerda conquistasse as vagas em São Paulo. A declaração soou como uma ordem, principalmente porque definiu Salles como “incontrolável”. A palavra diz muito sobre a lógica bolsonarista: quem não obedece automaticamente passa a ser tratado como problema.

Do outro lado, Ricardo Salles reagiu deixando claro que não pretende se submeter. Disse que o Novo não é um partido de negociatas, afirmou que seguirá candidato até o fim e rebateu as pressões vindas do entorno do PL. Independentemente das posições políticas de Salles, sua reação evidencia algo que já se tornou recorrente na relação da família Bolsonaro com aliados: a incapacidade de construir consensos reais. Em vez de negociação, diálogo ou composição, prevalece quase sempre a lógica da ameaça e submissão. O aliado ideal parece ser apenas aquele que aceita recuar, silenciar ou abrir mão de projetos pessoais em nome dos interesses do clã.

A família Bolsonaro não sabe fazer acordos, sabe apenas tentar impor sua vontade pela força política e pelo constrangimento público. Foi assim com antigos ministros, ex-apoiadores, governadores aliados, e agora volta a acontecer dentro da própria direita paulista. O problema é que uma liderança construída apenas na base da imposição costuma produzir ressentimento e fragmentação.

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