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Saúde

Olá, mamãe de primeira viagem. Veja as vantagens de amamentar

Foto/Divulgação
Carolina Paiva, Edição

Atenção mamães de primeira viagem. O aleitamento materno é a base da vida. Esse é o recado do Ministério da Saúde, com a sua campanha que incentiva as mães a darem o leite materno aos pequenos, até que eles completem 2 anos de vida ou mais. Isso não tem sido tão frequente nos dias de hoje, e precisa mudar.

Para se ter uma noção do quadro atual, basta lembrar um estudo da Organização Mundial da Saúde (OMS), indicando que apenas 26% dos brasileirinhos são amamentados até os dois anos de vida. E nem mesmo a recomendação da OMS sobre a amamentação exclusiva, que os bebês recebam apenas o leite materno até completarem seis meses, não costuma ser cumprida.

Vale ressaltar ainda que, de acordo com a última pesquisa do Ministério da Saúde sobre a prática, 59% dos bebês não são amamentados exclusivamente nos primeiros seis meses de vida A mesma pesquisa mostrou ainda que no país a amamentação exclusiva dura em média 51 dias, menos de 2 meses.

A esse respeito, uma jornalista recorda, na sua condição de mãe, quee não é nada fácil iniciar a amamentação e muito menos seguir com ela por 1 ano e 10 meses, que foi o limite dela. Mas, ressalta, “é preciso tampar os ouvidos para todos que falam que já está na hora de parar, que o bebê já está comendo outros alimentos, portanto o seu leite não é mais necessário e que se ele quer mamar toda hora é porque o seu leite é fraco, mesmo que essas pessoas sejam sua mãe, seu marido ou suas amigas”.

O ideal, segundo especialistas do setor, é que antes de optar pela desistência, a mãe que amamenta deve procurar os serviços de saúde, como as Unidades de Saúde e os Bancos de Leite Humano, além de grupos de apoio à amamentação nesses serviços, para buscar informações em sites e redes sociais confiáveis, como os do Ministério da Saúde e da Sociedade Brasileira de Pediatria. Neles é possível encontrar informações importantes para superar dificuldades e encontrar apoio, além de receber uma série de dicas, que podem ajudar muito a seguir adiante.

Existem oito motivos para que a mãe permaneça firme com a amamentação até que o seu filho complete o segundo aniversário ou mais. Dê uma olhada a seguir:

A amamentação é a base para a formação do sistema imunológico

O colostro, o primeiro leite que é sugado pelo bebê, possui 700 espécies de bactérias saudáveis, que irão fazer a colonização inicial do intestino e isso é fundamental para que tenhamos um sistema imunológico eficiente durante a vida toda. Estas bactérias são responsáveis pela formação de 70% das nossas células de defesa. A amamentação de primeira hora é tão importante quanto sua continuidade ao longo dos dois anos ou mais do bebê, com o apoio da equipe de saúde logo após o parto, é simples de ser realizada, basta colocar o bebê sem roupa, de bruço, sobre o tórax ou abdome desnudo da mãe, assim que ele nascer. Essa prática é uma das ações que os hospitais devem cumprir para receber do Ministério da Saúde e da Unicef o título de Hospital Amigo da Criança. Se você está grávida, vale a pena conferir quais hospitais têm esse título, antes de decidir onde fará o parto.

O leite materno é melhor do que o leite de vaca e as fórmulas infantis

A organização Mundial da Saúde e o Ministério da Saúde recomendam a amamentação por dois anos ou mais e de forma exclusiva nos seis primeiros meses de vida. Até os seis meses, nenhum outro líquido ou alimento deve ser oferecido ao bebê além do leite materno. Após essa idade outros alimentos devem complementar a amamentação, desde que saudáveis. Dessa forma, a grande maioria dos bebês não necessita de outros leites ou fórmulas infantis em sua alimentação. O leite de vaca e as formulas infantis têm alto potencial alergênico, são compostos por proteínas que ainda não são bem digeridas e causam processos inflamatórios no organismo. Mas o que vemos muito é a recomendação para que as mães substituam o próprio leite pelas fórmulas infantis, que têm como base o leite de vaca, antes mesmo do bebê completar seis meses de vida. Ao primeiro sinal de dificuldade das mães em amamentar, dificuldades comuns que boa parte das mulheres enfrenta, e que com uma orientação oportuna podem ser superadas, acabam por dar lugar a uma orientação pela desistência da amamentação e substituição por um leite ou fórmula. Quando é feita a substituição do leite materno por outro tipo de leite ou fórmula infantil, podem aparecer sintomas, que se manifestam por meio de cólicas, refluxos, otite, bronquite, prisão de ventre e dermatite, entre muitos outros efeitos desagradáveis quando os leites e fórmulas infantis não são bem aceitos pelo organismo do bebê.

O leite materno colabora com a maturação de alguns órgãos

Alguns órgãos não nascem totalmente prontos e, até o sexto mês de vida, o estômago, o intestino, e os rins do bebê só estão preparados para lidar com as características do leite materno e qualquer outro alimento que for oferecido irá prejudicar suas funções. De fato, quando a criança já passou dessa primeira fase e já consome todos os grupos alimentares, a amamentação continua colaborando com o amadurecimento deste órgãos, pois há substâncias presentes exclusivamente no leite materno.

É fundamental para o desenvolvimento cerebral

O pico da nossa formação cerebral acontece entre o terceiro trimestre da gestação e o décimo oitavo mês de vida do bebê. O principal nutriente responsável por essa formação é o Ômega 3. Não é recomendado que a mulher faça dietas restritivas, durante o período gestacional e da lactação, exceto por orientação médica ou de um nutricionista. Durante a gestação e principalmente durante a fase da amamentação, a mulher precisa de uma alimentação adequada, esta é a etapa na qual ela terá a maior demanda de micronutrientes, como vitaminas e minerais, de toda a sua vida. Outros fatores também podem interferir na disponibilidade de nutrientes importantes na fase da gestação e lactação, como a falta de sono, comum nesta época e a ansiedade gerada pela nova responsabilidade podem gerar uma situação de estresse, que elimina nutrientes do organismo. Por isso, as vezes pode ser necessário uma orientação nutricional para que a mãe alcance as quantidade de nutrientes importantes para essa fase.

A amamentação pode prevenir o aparecimento de doenças

Estudos comprovam que a amamentação previne doenças na infância e na vida adulta como obesidade, diabetes tipo 2 e pressão alta. Para a mãe a amamentação também traz benefícios, como a prevenção do câncer de mama, útero e ovário.

O leite materno colabora com o desenvolvimento cognitivo e inteligência

Está comprovado que a amamentação promove um melhor desenvolvimento cognitivo. Alguns estudos mostram que a maior inteligência resultante da amamentação se traduz em melhor desempenho acadêmico, renda mais alta e maior produtividade no longo prazo.

Amamentar ajuda a introduzir alimentos complementares a partir dos seis meses

Próximo aos seis meses de vida do bebê o leite materno pode ter um sabor mais salgado, uma alteração fisiológica que permite que a criança se acostume com o sabor, preparando-a para alimentação complementar.

O leite materno diminui a mortalidade infantil e materna

De acordo com a agência de notícias da ONU, se todos os bebês fossem amamentados nos seus dois primeiros anos, seria possível salvar a vida de 20 mil mães e de mais de 820 mil crianças com menos de cinco anos no mundo, todos os anos.

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