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QG do crime desmantelado:

Operação na Ilha do Bananal prende 17 suspeitos

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Autor/Imagem:
Janaína Costa - Foto Divulgação

Uma megaoperação da Secretaria de Defesa Social de Pernambuco (SDS) desarticulou um verdadeiro “quartel-general” do crime organizado na Ilha do Bananal, localizada no bairro da Iputinga, Zona Oeste do Recife. Batizada de Operação Iara, a ação policial completou 28 dias com um saldo impressionante de 17 pessoas presas. O local vinha sendo utilizado há cerca de um ano pelas facções como um centro logístico estratégico para o armazenamento e a distribuição de armas e entorpecentes em toda a Região Metropolitana.

A geografia da ilha, que possui uma extensão de 32 hectares — área equivalente a 44 campos de futebol —, era o principal trunfo dos criminosos devido ao difícil acesso e à vegetação densa de Mata Atlântica. Para se esconderem na mata, os traficantes contavam com equipamentos sofisticados e inéditos no estado. Entre o material recolhido pelas equipes do Batalhão de Operações Policiais Especiais (Bope), chamou a atenção a apreensão de Trajes Ghillie (roupas de camuflagem em formato 3D), além de coletes à prova de balas, balaclavas, celulares e balanças de precisão.

O arsenal de guerra encontrado no refúgio também impressionou as autoridades pela quantidade e pelo poder de destruição. No total, os policiais civis e militares apreenderam 17 armas de fogo, incluindo fuzis e submetralhadoras, além de oito granadas artesanais e cinco veículos usados pela quadrilha. A operação também retirou de circulação uma quantidade massiva de poder de fogo, contabilizando exatas 3.770 munições de diversos calibres estocadas no acampamento clandestino.

O volume de entorpecentes interceptado na área isolada reforça o papel da ilha como o principal depósito de distribuição de drogas do Grande Recife. As equipes policiais confiscaram mais de 20 toneladas de substâncias ilícitas enterradas e embaladas pelo terreno. O balanço oficial detalhado pelas forças de segurança aponta o recolhimento de mais de 18 toneladas de cocaína, além de uma quantidade expressiva de crack, fracionada em 4.627 quilos e outras 1.758 pedras prontas para a comercialização.

Apesar da alta periculosidade do grupo e do armamento pesado de que dispunham, a SDS destacou que todas as prisões e apreensões ocorreram de forma cirúrgica, sem o disparo de um único tiro. O planejamento estratégico garantiu que nenhum homicídio fosse registrado na localidade durante o período da intervenção. Entre os capturados, cujo governo não divulgou os nomes, está o líder da organização de 42 anos — localizado no interior da Paraíba —, três homens que embalavam os entorpecentes na ilha e um adolescente envolvido no incêndio criminoso a um ônibus na Iputinga.

Deflagrada originalmente em 22 de maio, a Operação Iara segue em andamento por tempo indeterminado e sem previsão de encerramento na capital pernambucana. De acordo com o Departamento de Repressão ao Narcotráfico (Denarc), todo o material bélico e tecnológico passará por perícia técnica rigorosa nos próximos dias. O foco principal da polícia agora entra em uma nova fase investigativa voltada para a asfixia financeira do grupo, visando a descapitalização dos líderes e o sequestro de bens e patrimônios adquiridos por meio do lucro do tráfico.

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