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Eternidade produzida na televisão

Os eternos

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Autor/Imagem:
Emanuelle Nascimento - Foto Francisco Filipino

Há algo curioso na ideia de eternidade produzida pela televisão. Assistir ao Big Brother Brasil 26 é perceber como pessoas comuns atravessam, por alguns meses, uma espécie de intensificação da vida. Tudo ali é mais: mais sentimento, mais conflito, mais exposição.

Mas o que significa ser “eterno” depois que o programa acaba?

A cultura contemporânea, como aponta Guy Debord, transforma a vida em espetáculo. O que permanece não é necessariamente a pessoa, mas a imagem construída dela. O participante deixa de ser apenas indivíduo e passa a ser narrativa.

E, ainda assim, há algo humano que escapa ao espetáculo.

Porque, no fim, os “eternos” não são eternos. Eles são lembrados enquanto fazem sentido para quem assiste. Depois, retornam à vida comum que talvez seja o lugar mais difícil de habitar.

Talvez a eternidade, afinal, não esteja na exposição, mas naquilo que conseguimos sustentar quando as luzes se apagam.

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