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Dupla personalidade

Oscar partiu e subiu aos céus bem longe dos fãs

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Autor/Imagem:
Mathuzalém Júnior - Foto de Arquivo

Orgulho de meia dúzia de amigos íntimos e de uma família séria e muito bem formada, morreu o cidadão, o homem, o pai devotado, o marido fiel e o irmão de todas as horas Oscar Daniel Bezerra Schmidt. Orgulho de uma nação, inquestionável como atleta e inoxidável como desportista, morreu Oscar Schmidt, um dos melhores jogadores de basquetebol de todos os tempos. Sem dúvida, o melhor do Brasil. No mesmo rol de eternos ídolos como Pelé, Ayrton Senna e Éder Jofre, entre outros, Oscar jamais será esquecido pelo distinto público brasileiro.

Como astro mundial da modalidade, Oscar foi um patriota exemplar. Prova disso é que ele, no auge da carreira, abriu mão dos milhões de dólares da NBA. Todas as honras e todas as glórias ao meu, ao seu, ao nosso “Mão Santa”. Como jornalista de esporte, acompanhei boa parte da carreira da lenda do esporte nacional. Foi nessa época que, mesmo com relativa distância, conheci o Oscar com duplicidade de personalidade, ambas com reparos somente ao temperamento hostil àqueles que dele se aproximavam mais do que o permitido.

As hostilidades são questionadas exclusivamente por se tratar de um homem público, cuja dependência do público jamais foi posta acima da indisposição com o coletivo. Dedicado à profissão e, principalmente, aos treinos, o gigante do basquete conseguia transformar perguntas espirituosas e especificamente esportivas em respostas explosivas, desagradáveis, jocosas e, às vezes, grosseiras. Com pouco ânimo e quase nenhum humor no contato com a imprensa e com os fãs que o ajudaram a decolar na carreira, Oscar Schmidt não era diferente no dia a dia com os companheiros de equipe, com os quais mantinha relações muito parecidas com as de chefe supremo.

E não era só aparência. Com todo respeito à família e à memória do jogador, a figura de Oscar Schmidt merecia ser reverenciada publicamente por quem se dispusesse. Tenho certeza de que milhares de paulistas, cearenses, cariocas, mineiros, brasilienses, norte-rio-grandenses, gaúchos e demais conterrâneos fariam fila para se despedir, respeitosa, triste, lacrimosa e solenemente, do ídolo. Como jornalista e fã, me acho no direito de divergir da forma como decidiram o velório.

Lamentável, mas aceitável o fato de os familiares do astro do basquete terem optado por agir como ele agia nesses momentos de divisão de glória, de títulos e de dor. Reitero que Oscar faz parte da mesma lendária prateleira onde estão colocados os nomes e os feitos de Pelé, Senna e Éder Jofre. A diferença é que os três foram velados diante daqueles que mais os aplaudiram em vida: os fãs. Tudo bem! Importante é que, mesmo sem as despedidas, seu fiel e amado público jamais o esquecerá como lenda do esporte brasileiro e mundial. Descanse em paz. Até logo aos dois Oscar.

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Mathuzalém Júnior é jornalista profissional desde 1978

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