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Mulher

Pais se viram nos 30 para segurar filhos em casa

Carolina Paiva, Edição

O isolamento social provocado pelo novo coronavírus está provocando mudanças bruscas. E em tempos de quarentena, haja criatividade para manter crianças e adolescentes em casa, 24hs por dia sem ter as horas de escola como aliada deste tempo ocioso. Famílias têm que lidar, ainda mais, com as horas vazias dentro de casa. E neste caso, não dá pra dizer que o ócio é criativo, pois estamos falando de uma longa quarentena. O que fazer então?

O lema de muitas famílias têm sido “é o que temos pra hoje” e elas têm tentado dar conta de um dia por vez. Fazem o que é possível com o que lhe é possível também. O que significa que, muitas vezes, o viável é nada. E nesses momentos, dá-lhe aparelhos eletrônicos. É preciso lidar com a lacuna que a escola deixou nas férias. A quarentena em casa não deixou de existir e ainda que os pais estejam trabalhando, em sua grande maioria, é preciso dar conta de preencher esse período.

Nessas horas, quem tem mais espaço dentro de casa sai na frente com a possibilidade de mais atividades físicas e jogos de correr. Famílias que moram em apartamentos menores têm, sempre, que lidar com a falta de espaço para brincar. Mas com quintal ou sem quintal, ninguém está livre do mau dos tempos: o excesso de tela. Marcia Zambon Farias, mora no interior do Rio Grande do Sul e diz não ter planos. “Minha filha é muito parceira e sabe que não tem outra possibilidade. Vai falar com as amigas, vai ter muito vídeo game, muito Food Network, talvez role alguns bolos e receitas novas”.

Férias? A filha da Lilian Cristina Chiaramonte, de 8 anos, diz que não existem férias na quarentena. “Pra ela, férias significa poder sair, passear e sabe que pela quarentena não iremos fazer nenhum passeio ou viagem. Tem sido difícil, anda malcriada, fica fixada por celular ou tablet”. E ainda que Lilian limite, percebe a ansiedade na filha e tá aí mais uma coisa para lidar.

Vanessa Lazarini Abreu também se preocupa com o tempo de tela, mas também não tem opção uma vez que ela e o marido estão trabalhando. “Não estou conseguindo brincar muito tempo com ele por conta de todos os afazeres da casa, os cuidados com ele e a caçula e mais o meu trabalho, então me culpo e acabo cedendo. Vou deixá-lo descansar e brincar mais durante o dia. É o que temos pra hoje!”.

“O que temos pra hoje” é lema dentro de casa. Muitas famílias têm encarado um dia por vez, a fim de abrandar o peso da culpa e conseguir dar conta de tantas demandas. “Um dia de cada vez, fala Amanda Vivan, mãe de um menino de 7 anos. “Tô dando graças a deus que as férias chegaram porque estou exausta de dar conta das aulas online. Ele estuda no mesmo ambiente que trabalho e agora vou trabalhar melhor. Além de poder acordar mais tarde também”.

Acordar mais tarde é sempre uma vantagem das férias. Mas foi pensando no excesso – se assim podemos dizer – de tempo livre das crianças e nas demandas dos pais que muitas escolas prepararam atividades extras e deixam disponíveis nas plataformas das escolas. Juliana Moraes, mãe do Gustavo, de 6 anos, é uma das que vai poder contar com as atividades extras que a escola deixou para o período. “A escola vai disponibilizar atividades on-line para as férias para quem quiser fazer sem custo adicional. Ele se distrai sozinho por um bom tempo, mas tem momentos do dia que temos que nos revezar e nos dedicar a fazer atividades com ele senão ele reclama”, conta. Mas Gustavo quer férias e terá também. “Vamos a pracinha aqui perto de casa tomar sol, correr e andar de patinete”. Juliana e o marido se dividiram para conseguir dar atenção, ainda que o filho curta muito desenhar sozinho. “Vai ter bastante iPad, vídeo game, filmes, e brincadeiras com a gente sempre que der! E vamos que vamos!”.

O mesmo acontece com o filho mais velho, de 6 anos, da Cristina de Figueiredo Machado (o mais novo, de 2 anos, ela tirou da escola). “Fará atividades e lição durante as férias propostos pela escola”, além de vídeo game, tablet e as atividades que conseguirem fazer. “Como ele está no primeiro ano, alfabetização, é importante manter os exercícios e a leitura para que eles não tenham dificuldades no retorno das aulas. São atividades leves, acho bom, já que não podemos oferecer muitas outras atividades trancadas em casa”.

O tempo com o tablet infelizmente aumentou, ainda que os meninos brinquem no quintal, pintam e desenham. Cristina também os leva andar de bicicleta, mas sentem-se entediados. “Os eletrônicos não são a melhor solução, todos sabemos que não, mas a verdade é que neste momento, fazendo home office, cuidando de todas as tarefas de casa sem ajuda, tudo ficou mais complexo. Temos que pensar que é uma fase, sermos mais altruístas, mais flexíveis conosco e com todos em nossa volta porque está difícil”.

Está difícil mesmo. Para Cristina e muitas mães que têm que se ver em casa com tantas demandas, trabalho e os cuidados das crianças. E ainda que os mais velhos solicitem menos atenção, ainda exigem cuidados e mais: atenção e carinho. Juliana Barbiero tem uma filha de 11 anos e juntas já planejaram algumas coisas. “Ela fez uma lista de tudo que gostaria de fazer nessas férias. “Acho que é uma oportunidade única porque normalmente as férias têm um monte de programa, viagens, etc e ela vai aprender a curtir o cantinho dela, do jeito que achar melhor”, conta.

As duas já escolhemos alguns cursos on-line de coisas que a filha gosta como lettering e maquiagem pra fazer no período. “Combinamos também algumas coisas juntas, como escolher uma receita por semana para aprender a cozinhar, comprar um livro de uma escritora que ela gosta muito, escolher um filme especial para alugar no Apple TV, brincar com brinquedos antigos pra ver se ainda gosta ou se já está na hora de doar. Tentando fazer coisas que ela tenha autonomia porque tanto eu quanto o pai seguimos trabalhando”.

Martina Mello também planejou atividades com a filha de 8 anos. “Vamos fazer algumas coisas na cozinha, comprei um quebra-cabeça e outro jogo novo. Além de jogar, vamos brincar no quintal. Quero deixar o menos tempo possível perto de telas, para descansar mesmo, pois com as aulas online e atividades da escola tem ficado mais do que está acostumada”, se queixa. Planejar atividades também era a ideia da Angelica Dibo, moradora de Goiânia e mãe do Henrique, 7 anos. Compraram uma horta, livros novos, programaram festa online com a família e ainda contam com 4 pets pra ajudar na distração.

Um dia por vez, famílias vão dando conta do que temos pra hoje. A interminável quarentena exige paciência e flexibilidade, não só dos pais, como das crianças e dos adolescentes também. Não está fácil pra ninguém. Tem muita ansiedade, mal humor, tristeza e energia represada. A lista pode ser infindável. Mas é preciso lidar com um dia por vez. E assim, vamos dando conta do tempo que parece estar estagnado.

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