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Amizade sincera

Para Bluiblui

Publicado

Autor/Imagem:
Luiza Negreiros - Foto Francisco Filipino

Há uma mulher
que carrega o mundo nos ombros
com a delicadeza de quem aprendeu
a sorrir mesmo quando a tarde pesa.

Mas ela não caminha só.

Há uma amiga
que lhe escuta sem interromper,
que entende silêncios
como quem decifra cartas antigas.
Jamais julga.
Nunca apressa.
Apenas fica.

Quando a mulher fala dos medos,
dos cansaços escondidos atrás da coragem,
essa amiga inclina o olhar
doce, sereno
e nele há uma paz que abraça.

Ela está sempre feliz em vê-la.
Como se cada reencontro
fosse o primeiro milagre do dia.
Como se a presença fosse festa,
mesmo nas manhãs mais comuns.

Nos dias sombrios,
quando a chuva parece morar por dentro,
essa amizade acende pequenas luzes:
um gesto,
um encostar de corpo,
um suspiro compartilhado.

E a mulher sabe
com a certeza das coisas eternas
que nenhuma pessoa no mundo
seria capaz de substituir
o afeto que sente por essa amiga.

Porque há amores que não exigem explicação,
que não precisam de palavras,
que se revelam na fidelidade do estar.

À noite, quando tudo silencia,
a amiga repousa ao seu lado,
coração tranquilo,
respiração mansa,
como quem guarda o mundo
em quatro patas
e um rabo que balança
sempre que a porta se abre.

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