Mulher casada
Parei de escrever
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Parei de escrever quando me fizeram sentir, mesmo sem palavras, que mulher casada devia ser útil à casa, não aos livros.
Engoli a vontade, guardei os cadernos e fingi que não doía.
Mas o luto me atravessou, me derrubou e me obrigou a encarar um vazio tão profundo, que eu nem conseguia respirar direiro. E, então, eu voltei… Dez anos de silêncio se transformaram no meu combustível.
Escrevo crítica social porque me recuso a enlouquecer diante de tanta injustiça.
Escrevo sobre luto e transtornos mentais porque é ali que muita gente aprende, sozinha, a respirar no escuro.
Escrevo com dor crônica, entre uma crise e outra, porque transformar dor em palavra é a única forma de não deixar que ela me consuma.
Não escrevo apesar da vida.
Escrevo para sobreviver a ela.