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O 13 da sorte

Perderam, manés; a camisa da Seleção é de todos

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Mathuzalém Júnior* - Foto Ricardo Stuckert

A pouco mais de 24 horas da estreia da Seleção Brasília na Copa do Mundo do Catar, chegou a hora de adentrar o imaginário gramado com a camisa amarelinha, preferencialmente com o vitorioso número 13. Antes, não há como deixar de reverenciar o legado do “Velho Lobo”, forma carinhosa como a maioria dos brasileiros conhece e trata Mário Jorge Lobo Zagallo. Ícone do futebol nacional e internacional, Zagallo é o único a ter conquistado, como jogador e treinador, o título mundial por quatro vezes. Além de herói, ele também ficou marcado por uma série de números, palavras e expressões com 13 letras, número ao qual é apegado desde a época de atleta. Zagallo cunhou algumas frases de efeito, entre elas a célebre “Vocês vão ter de me engolir”. Sobre os algarismos da sorte, ele foi, por exemplo, campeão a primeira vez em 58 (5+8=13).

Zagallo começou a carreira de técnico em 67 (6+7=13), no Botafogo. Em 94 (9+4=13), como auxiliar, ele e Carlos Alberto Parreira foram tetracampeões (13 caracteres). Enfim, o numeral é um rosário a ser desfiado pelos amantes da numerologia. Aos 91 anos, o “Velho Lobo” viveu para ver – e lamentar – a camisa canarinho ser usada como símbolo de três dúzias e meia de patriotas fanatizados e devotados defensores do ódio e do golpismo. Com 13 letras, o manto amarelo se transformou em ranço. Como o simbolismo do presidente tricampeão em eleição também é o 13, somente de Lula da Silva (13 letras) pode vir a salvação. Acredito que basta ele aparecer em público vestindo a beca da Seleção com o número do PT e estará resolvido o problema, isto é, a camisa voltará a ser do time, consequentemente de todos os brasileiros.

Para não repetir demasiadamente o símbolo, até o fim da narrativa continuarei grifando as citações com 13 letras. É o fim da picada, mas a inveja branca dos perdedores, principalmente a de Jair Bolsonaro, já encheu o saco. Esse povo passou quatro anos jocosamente adjetivando Luiz Inácio Lula da Silva e o PT e se esqueceu de governar. Daí a grande derrota. Perderam para eles mesmos. Desde a posse de Jair Messias, em janeiro de 2019, criou-se a lenda de que o PT jamais voltaria a ser governo. Isto porque, além do desgaste natural da legenda, seu líder esteve preso e seus candidatos foram mal nas eleições municipais de 2020. Como o mundo dá voltas e a fila anda, Bolsonaro e seus apoiadores mais próximos desandaram a falar e a fazer besteira.

Certamente não perceberam que boa parte da população, também conhecida por eleitores, não pensa igual a eles. O destrambelhamento gerou para o agora presidente em exercício índices altíssimos de rejeição. O resultado é inquestionável: Lula vitorioso e Jair derrotado. E com a camisa de volta. Perderam, manés. E não poderia ser diferente. O problema é que eles não aceitam a derrota. Contra os fatos, o gado tentou passar o rodo. Perderam no voto e perderão no argumento, pois não existe terceiro turno na eleição brasileira, tampouco hipótese de intervenção militar. Ou seja, mesmo com varandas, carros e caminhões embandeirados bloqueando rodovias, vão ter de engolir o sapão barbudo.

Após meses de uma melodramática batalha campal, a credibilidade de um foi suficiente para vencer o autoritarismo do outro. O que se vê em frente aos quartéis é constrangedor e muito próprio de um mandatário temperamental, cujo maior prazer é problematizar. Começou a Copa. Que venham os sérvios. Não serão mingau de aveia, mas nada que não consigamos transformar em uma saborosa farofa carioca. Vamos que vamos em busca do sonho do hexa. Lula da Silva, anote seu nome debaixo do 13 da canarinho e que apareçam os suíços, os camaroneses, os portugueses, uruguaios, ingleses, argentinos e, quem sabe, o sumido Jair Messias.

Politicamente, enquanto os fanáticos pregam, o governo Lula está sendo montado. Na verdade, a exemplo da Seleção Brasileira, já está definido, faltando apenas um ajuste aqui e outro ali. O troféu vai para quem apostou no hexa e no começo do governo Lula para 1º de janeiro. Azar para uns, sorte para outros, o 13 de Zagallo e de Luíz Inácio também é do Brasil. Embora uma turma descompensada tenha se apossado dela, a amarelinha é nossa, é de todos. A síntese da novela do 13 é simples: Lula no governo e Bolsonaro fora. Perderam, manés. Vocês não vão melar o jogo que já foi jogado.

*Mathuzalém Júnior é jornalista profissional desde 1978

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