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Brasil

Pesquisa sugere a Jair Bolsonaro arrumar gavetas

Mário Camargo

Se escapar de uma condenação na CPI do Genocídio, ou mesmo de um impeachment, e disputar as eleições de 2022, o presidente Jair Bolonaro estará apenas alimentando um sonho de poder que virará pesadelo. Em cenários distintos apresentados em pesquisa desta segunda, 10, pelo Instituto Atlas, o capitão perde a disputa em segundo turno não só para seu hoje maior adversário, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. No levantamento, ele ficaria atrás também de Luiz Henrique Mandetta (ex-ministro da Saúde) e de Ciro Gomes, ex-governador do Ceará. Além desse desastre, na melhor das hipóteses, um empate técnico com Fernando Haddad, derrotado no pleito de 2018.

Mas há um cenário ainda mais preocupante. Se Lula, conforme suas últimas andanças por Brasília, conseguir formar uma ampla aliança e convencer Mandetta a ser seu vice, a chapa seria vencedora já no primeiro turno. Em síntese, avaliam analistas políticos, já é hora de Bolsonaro começar a  arrumar as gavetas do Planalto e recolher as caixas de cloroquina que mantém no Alvorada,

A pesquisa, divulgada em primeira mão pela CNN Brasil, apresenta um Jair Bolsonaro ainda à frente de Lula, mas a diferença cai a passos largos a cada rodada do levantamento. Há, porém, uma explicação para essa diferença pró-Bolsonaro: é justamente a volta do auxílio emergencial, que não será eterno, como diria Vinicius, e sua duração já está com os dias contados.

Esse auxílio, apesar de minguado, ajudou a levantara pontuação do presidente. A Atlas mostra que Jair Bolsonaro obteve uma melhora em seu nível de popularidade neste mês de maio em relação a março, quando não havia auxílio nenhum. De acordo com os números, 40% da população aprovam o desempenho do ultradireitista, contra 35% em março. A desaprovação também teve leve queda e foi de 60%, há dois meses, para 57% agora.

Na reportagem em que apresenta a pesquisa, a CNN lembra que Andrei Roman, CEO do Atlas, considera que a melhora de Bolsonaro tem relação direta com a volta do pagamento do auxílio emergencial, a partir de abril, apesar de ter valores mais baixos do que os do benefício pago em 2020. Ele também avalia  importante “um alívio relativo em relação a situação da pandemia no país”.

“A pesquisa anterior, de março, foi feita no ponto de maior estresse”, pondera Roman. Março e abril foram os meses mais letais da pandemia até agora no Brasil. A média de mortes caiu nas últimas semanas, mas especialistas apontam que ainda é cedo para qualquer comemoração e alertam para risco de uma nova onda de contágios com os encontros do Dia das Mães neste fim de semana. Ou seja, trocando em miúdos, se a ciência confirmar suas previsões, Bolsonaro está no sal coma chegada de uma terceira onda em meados de junho e julho.

A pesquisa Atlas também mostra que a melhora da popularidade de Bolsonaro se refletiu em uma melhor performance nas simulações eleitorais para a corrida pela sucessão presidencial em 2022. O presidente lidera a corrida no primeiro turno, quer com a presença de Lula ou não. Tanto o mandatário como Lula tiveram melhor desempenho em maio em relação a março. Bolsonaro foi de 32,7% de intenção de votos há dois meses para 37%. Já o petista conseguiu reaver seus direitos políticos após decisões do Supremo Tribunal Federal que anularam as condenações da Operação Lava Jato, eliminando o veto da Lei da Ficha Limpa e voltando ao tabuleiro político. No período, o ex-presidente também cresceu. Foi de 27,4% em março para 33.2% em maio. Isto é, cerca de seis pontos percentuais acima do que foi conquistado pelo capitão.

Lula, inclusive, é o único que continua vencendo o atual ocupante do Planalto em 2022 em um eventual segundo turno, fora da margem de erro. O ex-presidente aparece com 45,7% contra 41% de Jair Bolsonaro, uma diferença de quase 5 pontos percentuais, quando a margem de erro da pesquisa é de dois pontos. Ciro Gomes (PDT) e Luiz Henrique Mandetta (DEM) aparecem numericamente à frente de Bolsonaro, mas estão tecnicamente empatados. Há uma tese correndo entre diversas corretes democráticas que devem estar todos juntos contra Bolsonaro em 2022. Se o  bom senso vencer  vaidade, aí, sim, pode-se dizer que os votos já são favas contadas.

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