Orégano/alecrim
Pessoas fumegantes
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“É proibido fumar / Diz o aviso que eu li…”
(É Proibido Fumar, Roberto e Erasmo Carlos)
Acendeu o cigarro e bem ao lado, ZÁS!
O cara acendeu um também.
Virou para o outro lado e mulher brigando com o marido entre baforadas de Marlboro.
Olhou para o cachorro na areia e ele fumando um Camel.
Levantou da cadeira de praia e foi ao banheiro.
De cara com a barata acendendo um GifT.
Lavou as mãos – por educação e prudência -, mas a fumaça só aumentava.
Retornou à praia e chegaram os pescadores.
Peixes fresquinhos.
A tainha ainda dava um último trago no toco do Roothiman.
O baiacu ainda vivo detonado um Kent.
Limpou os olhos e buscou salvação no pastor que gritava ameaçando a todos com a Bíblia em punho.
Na boca, um fino legal dos anos 70, Minister.
Lembrou-se da mãe, contumaz fumante do Continental sem filtro.
A fumaça aumentando e tomando conta da praia. Tentou respirar, mas é quase impossível.
Decidiu ir embora e saiu andando já meio zonzo.
Antes de chegar na pousada encontro um comando da polícia:
— E aí, cidadão? Documento!
— Ok. Tá aí.
O policial fez a checagem pela internet: limpo.
Nisto, o outro policial viu nos lábios do vivente uma bagana do cigarro de orégano com alecrim que o cara vinha fumando para tentar relaxar.
— O QUÊ É ISSO AÍ, CIDADÃO? AQUI É PROIBIDO FUMAR.
O cara, calmo, explicou que não era cigarro e dividiu a bagana com os dois policiais.
E assim foi; seguiram dançando pela estrada de terra do Cumbatá até o Sol novamente nascer.
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Gilberto Motta é escritor, jornalista, professor/pesquisador não fumante há anos. Vive na Guarda do Embaú SC.
Foto Tasso Scherer.