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Dr. Leo

Picadas de cobra em animais domésticos

Publicado

Autor/Imagem:
Leonardo Bernar - Foto Francisco Filipino

As áreas rurais e regiões próximas a matas escondem um risco muitas vezes invisível para quem tem animais de estimação. As picadas de cobras representam hoje uma das maiores causas de morte entre cães e gatos nesses locais, exigindo atenção redobrada dos tutores.

No Brasil, o cenário é preocupante devido à grande variedade de répteis peçonhentos espalhados pelo território. Entre as espécies mais perigosas para os nossos companheiros de quatro patas, destacam-se a jararaca, a cascavel, a surucucu e a coral, cada uma com um veneno muito potente.

Muitas vezes, o dono não vê o momento exato do ataque, por isso é fundamental conhecer os sinais de alerta. O animal picado costuma apresentar dor intensa, inchaço e vermelhidão no local onde os dentes da serpente atingiram a pele.

Além dos sinais externos, o veneno pode causar reações em todo o corpo do bicho, conhecidas como reações sistêmicas. Não é raro observar o animal com febre, tremores constantes e, em casos mais graves, episódios de convulsões que indicam urgência máxima.

A rapidez na resposta do tutor é o que define as chances de sobrevivência do pet em uma situação dessas. Caso haja qualquer suspeita de picada, o primeiro passo é manter o animal o mais calmo e imóvel possível para evitar que o veneno circule rápido.

Existe uma série de mitos perigosos sobre o que fazer nessas horas, e segui-los pode custar a vida do animal. Jamais tente sugar o veneno com a boca ou aplicar torniquetes e garrotes, pois essas medidas pioram a inflamação e podem causar necrose.

O único destino seguro após o acidente é a clínica veterinária mais próxima, sem qualquer demora. O tratamento com soro antiofídico é a única forma real de neutralizar o veneno, e sua eficácia é muito maior quando aplicado logo após a picada.

Ao chegar no veterinário, a identificação da cobra pode ser o diferencial para um tratamento certeiro. Se for seguro, tente tirar uma foto do réptil ou decore suas cores e padrões para descrever ao profissional, facilitando a escolha do antiveneno.

Quando não se sabe qual cobra atacou, os médicos veterinários utilizam o chamado soro polivalente. Essa é uma opção muito comum no Brasil, pois ele é produzido para combater o veneno de várias espécies diferentes de uma só vez.

O soro polivalente é extremamente eficaz, sendo capaz de tratar acidentes causados tanto por jararacas quanto por cascavéis. Além do soro, o profissional administrará remédios para controlar a dor e diminuir a inflamação que o veneno provoca nos tecidos.

Apesar da existência de tratamentos, a prevenção continua sendo a melhor ferramenta de proteção para quem vive em áreas de risco. Manter o quintal e o redor da casa limpos, sem acúmulo de entulhos ou restos de construção, é o primeiro passo essencial.

As cobras adoram se esconder em locais escuros e úmidos, por isso, remover pilhas de madeira ou lixo evita que elas se instalem perto dos pets. Evitar áreas de vegetação muito densa durante os passeios também reduz drasticamente as chances de um encontro indesejado.

Outro ponto importante é a supervisão constante, especialmente nos horários em que as cobras estão mais ativas, como no início da manhã ou ao final da tarde. Conhecer os hábitos da fauna local ajuda o tutor a evitar os locais de maior perigo.

É fundamental entender que cada espécie, como a jararaca (Bothrops sp.), a surucucu (Lachesis sp.) a cascavel (Crotalus sp.) ou a coral (Micrurus sp.) possui toxinas que agem de formas diferentes no organismo. Algumas destroem o tecido da pele, enquanto outras atacam diretamente o sistema nervoso do animal.

Em resumo, a picada de cobra deve ser sempre tratada como uma emergência médica de vida ou morte. Com prevenção no dia a dia e um atendimento veterinário ágil, o “perigo silencioso” pode ser combatido, garantindo que seu animal volte para casa em segurança.

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Instagram: @leoobernar

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