Hospital Anchieta
Polícia apura 7 novas mortes suspeitas na UTI ligadas a técnicos presos
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A Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF) intensificou as investigações sobre a conduta de três técnicos de enfermagem presos por suspeita de provocar a morte de pacientes na UTI do Hospital Anchieta, em Taguatinga. Novos desdobramentos apontam para sete novos casos suspeitos ocorridos no ano passado, dos quais três já possuem inquéritos específicos abertos. A investigação ganhou força após familiares de pacientes relatarem terem presenciado os suspeitos atuando nos leitos de seus parentes antes dos óbitos.
Para embasar as acusações, os investigadores realizam uma varredura minuciosa em prontuários médicos e nos últimos exames das vítimas por meio do Instituto de Medicina Legal (IML). Um entrave nas diligências, no entanto, foi a ausência de imagens de segurança de datas específicas solicitadas pela polícia. Em resposta aos questionamentos, o Hospital Anchieta informou que os registros já haviam sido apagados automaticamente pelo sistema da unidade de saúde.
Os profissionais envolvidos, Marcos Vinícius Silva Barbosa de Araújo (24), Marcela Camilly Alves da Silva (22) e Amanda Rodrigues de Sousa (28), estão com a prisão temporária mantida pela Justiça. A medida foi prorrogada por 30 dias para garantir que a polícia reúna provas suficientes antes de encaminhar o inquérito ao Ministério Público. O prazo para a conclusão das investigações e a manutenção da custódia dos suspeitos termina no fim da próxima semana.
Entre as vítimas já identificadas estão Miranilde Pereira da Silva, de 75 anos, João Clemente Pereira, de 63 anos, e Marcos Raymundo Fernandes Moreira, de 33 anos. Todos apresentaram quadros clínicos que, inicialmente, não indicavam risco iminente de morte, como constipação, tontura e dores abdominais. No entanto, os pacientes vieram a óbito pouco tempo após darem entrada na Unidade de Terapia Intensiva, sob os cuidados dos técnicos investigados.
Segundo a Polícia Civil, o principal suspeito, Marcos Vinícius, confessou os crimes após ser confrontado com evidências em depoimentos anteriores. Ele admitiu ter utilizado medicamentos em doses excessivas, agindo como veneno contra os pacientes, e em um dos casos, chegou a injetar desinfetante na corrente sanguínea de uma das vítimas. As investigações apontam que as técnicas Marcela e Amanda teriam dado cobertura às ações do colega durante os plantões.
Nesta semana, Marcela e Amanda prestaram novos depoimentos após serem transferidas temporariamente da Penitenciária da Colmeia para o Departamento de Polícia Especializada. Durante as oitivas, que duraram cerca de duas horas e meia, as defesas tentaram desvincular as profissionais da intenção criminosa de Marcos. Amanda teve um pedido de revogação de prisão negado pela Justiça na última semana e segue detida preventivamente.
A defesa de Marcela Camilly sustenta a tese de inocência, alegando que a técnica, por estar em início de carreira e fase de treinamento, acreditava que as injeções aplicadas pelo colega eram atos ordinários da rotina hospitalar. Segundo seus advogados, ela jamais imaginou que um crime estivesse sendo praticado diante de seus olhos e ressaltam que as quebras de sigilo não revelam qualquer ajuste prévio ou incentivo para a prática dos homicídios.
Em nota oficial, o Hospital Anchieta declarou que a própria instituição identificou os indícios de irregularidades e comunicou o caso às autoridades. O hospital afirmou estar colaborando integralmente com a PCDF, fornecendo documentos e informações dentro dos prazos legais. Após a abertura da investigação interna, os três técnicos de enfermagem foram sumariamente demitidos pela administração da unidade.